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Terça-feira, Setembro 30, 2003
Desculpem a demora para postar, mas estou achando complicado de me adaptar aos horários da faculdade de novo e a TT continua estudando pro vestiba... Espero que tenham se interessado pelos links do post anterior - material interessante é o que não falta por lá!
Hoje quero colocar seis notícias relacionadas à Educação:
Presidente da Câmara defende distribuição de preservativo na escola - João Paulo Cunha defendeu essa distribuição, aliada a uma conscientização em programas educativos sobre sexo e DSTs. A idéia é muito válida, mas está sofrendo resistência de Igrejas e setores conservadores da sociedade. Eles alegam que essa medida estimularia os jovens a praticarem sexo cada vez mais cedo. Mas vamos aos dados, segundo o Ministro Humberto Costa: "Entre 70% e 80% dos jovens brasileiros entre 15 e 17 anos já têm vida sexual ativa e 35% praticam sexo desde os 14 anos". O que a Igreja tem a declarar a respeito disso? (leia mais na matéria do Estadão, 17/9)
Ministro estuda sistema unificado da educação - Cristóvam Buarque está estudando um sistema unificado, ao estilo do SUS, envolvendo União, Estados e municípios. A idéia é melhorar a qualidade, revertendo os dados catastróficos divulgados recentemente pelo Inep. (leia mais na matéria do Estadão, 22/9)
Provão de cara nova - a Comissão Especial de Avaliação do Ensino Superior, criada pelo MEC, apresentou mudanças para o Provão, que atenderiam reivindicação de movimentos estudantis e de alguma sinstituições mal avaliadas. A avaliação, que teria o nome de Paideia, aconteceria na metade e na conclusão dos cursos. As universidades fariam uma auto-avaliação e também seriam avaliadas por um órgão do MEC. A prova deixaria de ser obrigatória e não existiria mais o ranking de universidades. Acho essa smedidas boas, para acabar com a farsa do conceito "A" e com os boicotes e o conseqüente conceito "E". Mas a discussão tem que continuar. (Leia mais na matéria do Diário de Natal)
Brasil Alfabetizado recebe US$ 200 mil do governo japonês - o acordo foi assinado no dia 24, entre Cristóvam Buarque, Jorge Werthein (diretor para o Brasil da Unesco) e Todashi Eikeda (embaixador do Japão aqui). (Leia mais no Jornal do Commercio)
MEC vai liberar R$ 62 milhões para escolas públicas - o dinheiro será liberado por meio do Fundo de Fortalecimento da Escola, até o fim do ano, para 19 estados e 384 municípios das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. "Os recursos destinam-se à reforma e adequação de salas de aula e sanitários, compra de mobiliário e material pedagógico para as escolas públicas das redes estaduais e municipais, programas de formação de professores e expansão da metodologia da Escola Ativa em salas multisseriadas da zona rural". (Leia mais na matéria da Assessoria do MEC, de 26/9)
Ministro propõe piso para professor e garantia de vaga a crianças de 4 anos - Buarque definiu esta semana quatro propostas para sua área: "1) instituir um piso salarial para o professor e implantar a avaliação permanente do seu trabalho; 2) garantir vaga a todas as crianças a partir de 4 anos; 3) ensino médio obrigatório; 4) quatro anos de ensino médio, sendo um deles profissionalizante." Achei todas elas muito válidas, especialmente a primeira e última. Fazem parte do "sistema solidário de Educação", que envolve negociações entre Estado e municípios e muita conversa com professores e universidades. Mas, se feito da maneira como prometem, poderá trazer benefícios a longo prazo.
"Eu às vezes me pergunto se no Brasil temos paciência, preguiça ou indiferença, pela lentidão com que a gente atende às necessidades populares." (C.B.)
por CRISTINA CASTRO
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Sábado, Setembro 27, 2003
Curtas e boas:
Hoje eu não queria postar sobre nenhuma notícia específica, mas tocar em vários pequenos pontos e chamar a atenção para alguns sites muito interessantes. Colocarei vários links e espero que vocês os visitem.
Centro de Mídia Independente - Este site contém notícias atualíssimas, escritas por colaboradores de toda parte, e nem sempre divulgadas pela grande mídia. Na página inicial de hoje, por exemplo, eles tratam dos movimentos populares que estão sacudindo a Bolívia, da liberação dos transgênicos, da descriminalização do aborto (assunto polêmico e interessante, que ainda vamos discutir por aqui), repressão ao MST, absurdos do governo Uribe (que acusa, agora, as entidades de direitos humanos de serem terroristas e guerrilheiras), dentre outras coisas. O site também tem um espaço para que as pessoas deixem comentários e criem debates. Sugiro que leiam a matéria sobre a mobilização boliviana, que está bastante completa. A manifestação começou espontaneamente, contra venda de gás aos EUA, e agora prossegue como uma luta de camponeses e operários contra o neoliberalismo e pela derrubada do capitalismo e renúncia de Sánchez de Losada. Os protestos, em meio a faixas vermelhas e rostos de Che Guevara, já estão durando cerca de uma semana. A gente bem que poderia imitar nossos vizinhos de vez em quando...
Make Trade Fair - O site, em inglês, trata de todas as questões de comércio mundial de maneira muito clara e defendendo maior igualdade e melhores direitos para países em desenvolvimento. Em uma seção, eles colocam "dez fatos sobre comércio internacional, globalização e divisão de riquezas". Cliquem aí para ler, vale a pena: http://www.maketradefair.com/assets/english/press_ten_facts.doc. Depois eu vou traduzir tudo, mas hoje só vou colocar um dos itens: "4. Se África, Ásia Oriental e Meridional e América Latina aumentassem suas exportações em apenas 1%, 128 milhões de pessoas deixariam de ser pobres."
Site do Michael Moore - Mais um para quem lê inglês. O site, para quem ainda não conhece (ficou famoso desde que Moore ficou mundialmente conhecido, com Tiros em Columbine), traz questões bastante pertinentes sobre abusos do governo norte-americano. Um dos textos mais interessantes que está no ar agora, sobre o Patriot Act, convoca todos os un-Americans (pessoas "pouco patriotas", segundo as idéias de Bush) a protestarem contra a lei que "permite ao FBI monitorar tudo, desde emails a fichas em bibliotecas, dando acesso ao que seria informação particular. Agora eles podem legalmente grampear telefones, invadir casas e escritórios, e acessar contas bancárias sem motivos especiais." Recomendo a leitura (e a indignação!).
Caso Dolly X Coca-Cola - Tomei conhecimento desse absurdo no blog do Deckard e acho que já está passando da hora de divulgar por aqui. A Dolly é uma empresa de refrigerantes brasileira, que está processando a Coca-Cola por "concorrência desleal e abuso de poder econômico". A poderosíssima norte-americana simplesmente divulgou emails acusando o refrigerante brasileiro de causar câncer no reto e doença nos rins, subornou agentes públicos e fez, inclusive, ameaças de assassinato. Isso tudo foi dito pelo ex-diretor da Coca, Eduardo Capistrano do Amaral, em conversa gravada sem que ele soubesse. Capitalismo é isso mesmo: economia selvagem, pisar nos pequenos concorrentes para que os grandes liderem o mercado sem obstáculos incômodos. Eu nunca tinha ouvido falar da Dolly e nunca experimentei esse refrigerante. Mas descubram alguém que não conheça a Coca-Cola, que quero ter a honra de conhecer essa pessoa... Para lerem a notícia sobre o caso, cliquem aqui e para visitarem o site do refrigerante, aqui.
Manifesto contra o Domingo Legal e outros lixos que deveriam ser ilegais: para assinarem nosso Manifesto, escrevam seu nome, sobrenome e cidade no Fala aí ou enviem para nosso email (foiceemartelo@hotmail.com). Para entenderem melhor nossa posição, leiam o post de 24/9. Divulguem a idéia entre seus amigos e façam suas próprias listas - mas não se esqueçam de repassá-las para nós! Em breve publicaremos os nomes no Grampeados do Foice.
iBest - Não custa lembrar que estamos concorrendo ao iBest desde ano, nas categorias Blog, Pessoal Variedades, Governo, Política e MG. Para votar, basta clicar no link no topo de cada post, confirmarem voto e fazerem o cadastro (*rapidinho*) no iBest. Contamos com a ajuda de todos!
(Valeu pelas dicas, Deckard!)
por CRISTINA CASTRO
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Sexta-feira, Setembro 26, 2003
POST DIDÁTICO::::
Editada pela Presidência da República e publicada hoje (26/09) no Diário Oficial da União, a Medida Provisória nº 131 não liberou o cultivo de produtos transgênicos no país, enfatizou o consultor jurídico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Silvino da Silva Filho.
A medida provisória apenas autorizou o uso das sementes de soja transgênica da safra passada.
"Ao editá-la, o governo criou uma lei nova para um fato novo, que é o uso das sementes de soja geneticamente modificadas da safra 2002/03."
Segundo ele, a MP é legal e constitucional.
Outras da MP:::
**O agricultor precisará assinar um termo de compromisso, no qual ele se responsabiliza pelo plantio e informa ao governo que vai utilizar a semente de soja transgênica. Dessa forma, será possível cadastrar todos os agricultores que estão utilizando essas sementes e responsabilizá-los por eventuais problemas com a Justiça.
**Estabelece uma multa de R$ 16.110,00 --mais 10% por tonelada de soja produzida-- para quem descumprir as regras estabelecidas pelo governo.
**Os agricultores também irão se comprometer a informar ao consumidor a origem e o tipo de semente utilizado na plantação da soja.
**Caso haja "contaminação" da soja convencional pela semente geneticamente modificada, o plantador também responderá na Justiça.
**Não será permitido o plantio em terras indígenas, em áreas próximas a unidades de conservação e mananciais e em áreas de especial relevância para a biodiversidade.
A GENÉTICA INFORMA....
O que são transgênicos?
São plantas criadas em laboratório com técnicas da engenharia genética que permitem "cortar e colar" genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua estrutura natural a fim de obter características específicas.
Greenpeace diz:
**Não há limite para esta técnica; por exemplo, é possível criar combinações nunca imaginadas como animais com plantas e bactérias.
**Podem aumentar a resistência a antibióticos.
**Podem causar alergias.
**Podem contaminar plantações vizinhas.
**São ilegais no Brasil por não respeitarem a * Leis de Biosegurança* e o * Código de Defesa do Consumidor*
O que o MST diz????
"Em nenhum país há estudos que comprovem a segurança desses organismos geneticamente modificados para a saúde dos consumidores e para o ambiente, e que esta liberação atenta contra a soberania alimentar dos brasileiros e contra a economia do Brasil, que tem alcançado sucessivos superávits de sua pauta de exportação devido justamente ao fato de o País ser reconhecido nos mercados internacionais como livre de transgênicos.
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) afirma, em documento pública e amplamente divulgado em 02 de setembro de 2003, que: " A Embrapa está consciente de que praticamente inexistem pesquisas conclusivas sobre os riscos para a saúde dos consumidores que venham a ingerir alimentos geneticamente modificados, bem como de que não há ainda no País pesquisas conclusivas sobre os riscos decorrentes da liberação de OGMs no meio ambiente, o que deve ser estudado caso a caso".
Quem defende diz:
As multinacionais agroquímicas, que estão desenvolvendo e promovendo a biotecnologia, levantaram uma série de argumentos a respeito das vantagens a serem ganhas, mas poucas delas se sustentam.
Eles argumentam que os cultivos transgênicos aumentam a produtividade e que trarão benefícios, particularmente para pequenos agricultores nos países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo essas companhias estão patenteando genes usados na produção de novos organismos.
Uma vez as patentes protegidas, as sementes só estarão disponíveis através do pagamento de royalties anuais. Como resultado, os produtores não poderão mais guardar as melhores sementes para plantarem na estação seguinte, abandonando uma longa tradição. Além disso, como já está ocorrendo nos EUA, contratos legais estão forçando agricultores a usar a semente e o herbicida produzidos pela mesma empresa.
As empresas sabem que, atrás do controle sobre os cultivos básicos plantados no mundo (incluindo milho, arroz e trigo) e patenteando suas sementes, há uma margem de lucro muito grande a ser ganha. Se a corrente tendência de fusões continuar, um número pequeno de empresas controlará quase toda a produção mundial de alimentos.
Clique na declaração abaixo para ler um artigo muito bom sobre os transgênicos (parte do post foi retirado de lá) junto com outras declarações do geneticista:
Para o geneticista da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Marcos Morais, um alimento transgênico é tão perigoso ou tão saudável quanto um novo medicamento.
Curiosidades::::
**A soja recebeu um gene de bactéria que a torna resistente ao herbicida Roundup, também da Monsanto. Com isso, os agricultores podem matar as plantas daninhas sem dizimar a soja.
**O milho Bt é resistente a insetos. Ele recebeu informação genética da bactéria Bacillus thuringiensis, conhecida por produzir uma toxina inseticida.
**Além do milho e da soja, há plantações de canola e algodão. Os EUA são os maiores produtores, seguidos da Argentina, Canadá, China e África do Sul.
**Na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), há projetos para o desenvolvimento de café, tomate, cacau, mamão, soja, feijão, mamão, algodão e banana.
Informações consultadas / retiradas / editadas de:::::
http://www.agricultura.gov.br/
http://www.mst.org.br/
http://www.greenpeace.org.br
http://www.jardimdeflores.com.br/
http://brasil.indymedia.org
http://www.folha.com.br
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Quarta-feira, Setembro 24, 2003
Gugu é culpa do povo
Hoje fui a uma palestra muito boa com o coordenador de direito penal da Escola Superior de Advocacia, Professor Adilson Rocha, com participação da professora de Comunicação Social da UFMG, Carmen Dulce. Tema: a mídia e o processo penal.
Dentre as várias questões discutidas - parcialidade da imprensa, sensacionalismo e repercussão de programas como Linha Direta, diferença entre jornalismo e espetáculo (nisso incluindo programas como o Fantástico), abuso  de autoridade, reportagens investigativas, capacidade que a mídia tem de transformar pessoas em bandidos e heróis (Fernandinho Beira-Mar, por exemplo, tornou-se herói para centenas de meninos, excluídos pelo próprio Estado), credibilidade, indução e poder da mídia -, eu gostaria de desenvolver apenas uma, aqui. Ela surge a partir de uma observação feita pela Carmen e envolve o maior tema de fofocas do momento: Gugu Liberato e seu Domingo Legal.
A observação: "Nós temos a mídia que merecemos; apenas a sociedade pode mudar a mídia".
É isso aí. Todo mundo adora criticar a imprensa. Ela é corrupta, interesseira, injusta, pouco isenta. Os jornalistas são culpados por metade das desgraças do mundo. Mas por que é que isso acontece, afinal? Porque a imprensa trabalha em função de uma sociedade - e esta sociedade é corrupta, interesseira, injusta e pouco isenta. Quando um político é pego em flagrante roubando dinheiro público, a mídia cai em cima dele e tem um poder tão grande que pode destruir sua carreira por toda a vida. Mas as matérias só continuarão a ser publicadas se o povo continuar se interessando por elas. Quando o assunto "cansa", a mídia muda - e o político pode simplesmente se aproveitar disso para dar a volta por cima. Os jornais são culpados pela memória fraca do povo ou é o povo que tem  culpa pela memória curta dos jornais? A interrelação é tão grande que nos leva inevitavelmente à mesma conclusão da minha professora.
O povo adora criticar programas ridículos como o Domingo Legal. Mas é esse mesmo povo que assiste ao programa - e também vê novelinhas idiotas, vê Faustão e Caldeirão do Huck, vê Ratinho e CIA. Na hora de desligar o aparelho ou mudar o canal, a maioria muda de opinião. E dá Ibope ao escrachamento, levando produtores ao cúmulo de forjar entrevista com "bandidos do PCC", pagando 150 reais a dois pobres-coitados para decorarem um texto cheio de ameaças a figurões importantes. A corrida pelo Ibope foi a causa para tamanha estupidez. Quem são os responsáveis? Gugu Liberato, Wagner Mafezolli (chefe de reportagem), Maurício Nunes (diretor), Rogério Casagrande (produtor) e todos os outros envolvidos com o programa que foi ao ar. Mas também são responsáveis todas as pessoas que continuam assistindo a este programa, e dando motivos para essa caçada ao Ibope. A sociedade é conivente com o que há de mais podre na mídia e o ciclo só é fechado porque existem milhares de pessoas aplaudindo de pé.
Manifestando a indignação
O problema é que as outras pessoas - as que vaiam pra valer - não sabem o grande poder que têm em suas mãos e se sentem impotentes diante desse tipo de situação. É por isso mesmo que tenho a convicção de que Gugu logo será "perdoado" pelo grande público, a mídia logo se cansará do assunto, um ou outro será demitido do SBT e o Domingo continuará cada vez mais legal... A menos que as pessoas usem de seu poder para mobilizar a imprensa e espichar a memória fraca da sociedade. A sugestão do nosso blog é simples, até simbólica: façamos todos um Manifesto exigindo o cumprimento da lei por Gugu e por todos os outros responsáveis e declarando nosso apoio ao fim de programas como o Domingo Legal. Escrevam aí mesmo no Fala aí, lancem a idéia em seus blogs ou por suas listas de email e recolham o máximo de "assinaturas virtuais" que puderem! Depois reúnam todas e mandem para o email do blog (foiceemartelo@hotmail.com). Quando tivermos uma quantidade considerável - se chegarmos lá - publicaremos no Grampeados do Foice e divulgaremos por aí. Se a iniciativa não tiver efeito legal, ao menos terá o grande mérito de fazer com que o assunto não esfrie e as pessoas possam se expressar de uma maneira realmente pública. O poder de conscientização é maior do que todos imaginamos - e não estranharei se muitos deixarem de assistir a esse tipo de programa pelo simples fato de terem pensado mais a respeito de sua importância direta para a baixa qualidade da grande mídia. Há muitos jornalistas covardes, que se deixam reger pelo patrocinador do jornal. Há também o dono do veículo, que não se incomoda com nada além dos pontos do Ibope e o lucro no fim do mês. Mas quem controla tudo é necessariamente o povo. Somos O Patrão! Cabe ao povo decidir se prefere se deixar controlar a dar um pouco de credibilidade a si mesmo...
Fotos: sites da Globo e do SBT. Charge do Kacio, no Correio Braziliense de hoje.
Assinem em nossa lista! Basta colocarem nome, algum sobrenome e cidade/estado em que vivem.
por CRISTINA CASTRO
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Botem Lavagna no ministério da Fazenda!
Há alguns posts comentei sobre a moratória da Argentina e como o país vem crescendo maravilhosamente (ô, exagero) desde que decidiu peitar o FMI. Hoje vou postar um trecho da coluna de Sebastião Nery, do Diário da Tarde de hoje, sobre como o Brasil (leia: Palocci e Meirelles) teima em fazer exatamente o oposto do vizinho, mantendo-se subserviente diante dos banqueiros e multiplicando as dívidas interna e externa, a custo de altos juros e baixo investimento social. Já mordi a língua uma vez e aprendi a lição: definitivamente renegociar a dívida é a melhor solução para o Brasil. Roberto Lavagna,  ministro da fazenda Argentino, já sabe disso. Mas Palocci prefere imitar Cavallo...
Cliquem sobre o trecho para lerem na íntegra:
"É por isso que Palocci e Meirelles têm ódio quando os jornalistas lhes perguntam sobre a Argentina. Em apenas três meses de governo, o presidente Kirchner já pôs a Argentina crescendo 7,6% em relação a 2002. O Brasil 0,5%.
A Argentina fez milagre? Não. Teve altivez. Como dizia Capistrano de Abreu, teve vergonha na cara . Lá em Dubai, enquanto Palocci babava o FMI e os banqueiros, a Argentina empurrou-os contra a parede, propondo renegociar a dívida de US$100 bilhões com prazos mais longos e reduzindo-a a 25%. O resto todos sabem que é roubo que vem de longe: juros sobre juros.
Esta é a diferença. O ministro da fazenda da Argentina, Roberto Lavagna defende seu país e seu povo. O do Brasil, Palocci, chegou a Dubai como Herodes, com a cabeça de João Batista na bandeja, para agradar a Salomé.
Palocci que se cuide. Cavallo fez o mesmo e vive fugindo."
Crime social
Em outra parte do artigo, Nery coloca dados alarmantes: as verbas do orçamento deste ano e quanto o governo deixou de gastar para pagar os juros das dívidas.
"1. - Agricultura familiar (pronaf). Verba: R$82,3 milhões. Gastou: 0%.
2. - Saneamento Básico Verba: R$230 milhões. Gastou: 3,78%.
3. - Cartão Alimentação (fome Zero). Verba: R$1,2 bilhão. Gastou:8,5.
4. - Livro Didático. Verba: R$550 milhões. Gastou 1%.
5. - Assentamento (reforma agrária) Verba: R$1,2 bilhão. Gastou: 28,6%.
6. - Sistema Único de Saúde (SUS). Verba: R$97 milhões. Gastou: 38,5%.
7. - Bolsa qualificação profissional. Verba: R$4,7 milhões. Gastou 32,215%.
Todos os demais programas Sociais, badalados na campanha, promessas e discursos do governo (Bolsa Escola, Agente Jovem, Seguro-Desemprego, Benefícios para Idosos e deficientes, Auxílio-Gás) tiveram até agora aplicação média de 58%."
Detalhe importante: o ano de 2003 já está quase em outubro... Cadê a droga do espetáculo do crescimento?? Só esse mísero meio porcento?!
(Consultei o jornal mineiro Diário da Tarde, de hoje. Charge de Mitchell no site Charge Online. Foto do www.gettyimages.com)
por CRISTINA CASTRO
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Terça-feira, Setembro 23, 2003
Adauto gosta de aviões
No post de 14 de setembro, intitulado A Terceira Reforma, coloquei que uma boa notícia na futura reforma ministerial deverá ser a saída de Anderson Adauto, atolado até o pescoço em acusações diversas. Ora, não é justo que eu ofenda o pobre coitado sem nenhuma explicação. Este post tem a intenção de colocar os pingos nos is e tirar definitivamente as dúvidas de quem acredita na inocência do ministro.
Em 2000, Adauto concorreu à prefeitura de Uberaba, cidade no triângulo mineiro. Na época ele ainda era do PMDB (hoje é do PL). Como era presidente da Assembléia Legislativa mineira, usou o avião da Casa, além de outros servicinhos, para ajudar em sua campanha. Ele chegou a usar o avião 30 vezes (!) em menos de três meses, logo antes das eleições. Anteontem o juiz Lênin Ignachitti condenou o ministro a ficar inelegível pelos próximos três anos. Mas o ministro ainda vai recorrer da sentença. Querem ouvir a piada do dia? Segundo a assessoria de Adauto, ele usava o avião para ir para casa e "a lei não impede que o avião o leve para casa".
Querem mais? No início de sua gestão, o ministro também enfrentou acusações de desvio de recursos em prefeituras do triângulo. E na semana passada, uma reportagem da revista IstoÉ disse que o ministro priorizou obra em Minas Gerais que beneficia seu principal caixa de campanha a deputado federal em 2002.
Isso tudo já me dá razões suficientes para achar ótima idéia se o Lula realmente resolver tirar Adauto do Ministério dos Transportes. Minha ressalva é quem ele colocará no lugar. O PMDB está de olho, é claro...
Se Adauto sair do Ministério, vai querer concorrer nas eleições em Uberaba. Com a condenação do juiz Lênin (bonito nome!), vai ficar na vontade.
Consultei os jornais OTempo, 21/9 e 22/9, e Folha de S.Paulo de 22/9
por CRISTINA CASTRO
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Segunda-feira, Setembro 22, 2003
A guerra da reforma
Vocês se lembram qual era um dos principais objetivos da Reforma Tributária? Era acabar com a guerra fiscal*. Pois bem, adivinhem o que está acontecendo, nesta reta final da reforma? A guerra fiscal está em seu auge! Isso porque, segundo a proposta do governo, o prazo final para a concessão ou prorrogação de incentivos fiscais é 30 de setembro. Os governadores estão aproveitando estas últimas semanas para atraírem o máximo possível de empresas para suas regiões. Em Pernambuco, por exemplo, 53 projetos de incentivos foram aprovados só nos últimos dois meses, garantindo isenções de até 75% no ICMS para as indústrias. Zeca do PT está fechando acordo para levar 165 empresas para o Mato Grosso do Sul. O prazo inicial seria até 31 de julho, mas, atendendo ao lobby dos estados do Nordeste e Centro-Oeste, foi feita uma concessão prorrogando o prazo por mais dois meses. Chega a ser irônico: logo antes de a reforma ser aprovada definitivamente, a guerra fiscal aumenta enormemente...(Consultei o jornal Estado de São Paulo)
* O que é a guerra fiscal?
É quando estados ou municípios deixam de cobrar impostos ou dão outros benefícios fiscais para atrair investimentos na indústria e comércio, aumentando a produção, gerando novos empregos e desenvolvendo a região. É uma disputa proibida por lei desde 1975. Ela acaba prejudicando os estados mais pobres, que não têm muito dinheiro para bancar benefícios, e faz aumentar as desigualdades regionais do país (que já são grandes o bastante, diga-se de passagem). (Consultei o Almanaque Abril)
Mas o engraçado é que os estados mais ricos são os que não se importam com o fim dos incentivos fiscais:
por CRISTINA CASTRO
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Domingo, Setembro 21, 2003
Vocês se lembram do post de terça-feira passada sobre o "Ditador Aécio", com informações que o leitor Blogueiro nos passou por email? Pois é. Finalmente o site do Sindicato dos Jornalistas de MG, o www.jornalistasdeminas.com.br, publicou alguma coisa a respeito, na última sexta-feira. Vou colocar a matéria de Maria Fidência Penna, mas sugiro que vocês leiam diretamente no site, para verem os comentários dos jornalistas a respeito desse delicado tema. Liberdade de Imprensa é um direito e nenhum governadorzinho de araque pode tirar ele do povo.
"O jornalista Ugo Braga foi demitido da editoria de Economia do jornal Estado de Minas, nesta terça-feira, 16 de setembro. A dispensa foi justificada pela publicação de uma nota no caderno de economia, de segunda-feira, dia15, sobre o desempenho do governo Aécio Neves.
Sob o título 'Igual a Covas', a informação publicada pelo jornalista dizia que 'o instituto paulista Brasmarket fez pesquisa nacional sobre o desempenho do início de mandato dos 27 governadores. Aécio Neves ficou no antepenúltimo lugar. Ganhou apenas do sergipano João Alves (PFL) e do roraimense Francisco Flamarion (PSL).'
Segundo Ugo Braga, o problema começou na segunda-feira. Após a reunião de pauta, o jornalista foi chamado à sala do diretor de redação, Josemar Gimenez Resende, e informado que o texto teria incomodando o diretor executivo do EM, Álvaro Teixeira da Costa. O jornalista teria argumentado, com o diretor de redação, que era uma informação importante para o leitor, mas, ainda assim, a demissão foi oficializada na terça-feira.
Para o presidente do SJPMG, Aloísio Lopes, 'essa demissão é mais uma prova das denúncias que o sindicato vem fazendo sobre o comportamento do governo estadual em relação à imprensa. A pressão que o governo Aécio Neves faz na linha editorial dos jornais do Estado é real. Este é mais um atentado à liberdade de imprensa e ao direito à informação'. O presidente acrescenta que este caso será encaminhado à Comissão de Ética, juntamente com as outras denúncias que chegaram ao sindicato.
Procurado pelo site Jornalistas de Minas, diretores do Estado de Minas nao foram localizados, nem deram retorno às ligações para apresentar a posição do jornal sobre o caso. Já o coordenador geral da Secretaria de Comunicação do Executivo estadual, Antônio Achiles, limitou-se a afirmar que 'o governo não tem que se pronunciar sobre assuntos internos dos veículos'."
por CRISTINA CASTRO
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Sábado, Setembro 20, 2003
:::::::::: 6 MESES DE FMB:::::::::::
Hoje é um dia muito importante para nós duas, há seis meses temos mais um motivo para conectar a internet!
Para comemorar nosso aniversário, hoje, lançamos oficialmente a seção "GRAMPEADOS DO FOICE" e a divertida seção "HISTÓRIA DO BLOG", além de grampearmos um post muito especial com detalhes dos bastidores do blog nesses 6 meses....
Neste grampeado você verá situações engraçadas e informações adicionais sobre o desenvolvimento do FMB! Vale a pena ler! Você passará a compreender melhor o esforço que existe por trás de cada post e também como funciona a mente das criadoras...
POST ESPECIAL! 6 MESES BLOGANDO!
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Depois de seis meses ainda vale lembrar!!::::::::::
** Você, nosso leitor, é o responsável pela nossa alegria! Então deixe seu recado para sabermos que você existe!! Solta o verbo no " Fala aí". É de nossa política interna: Não criticar erros de português (se você pedir, até consertamos pelo sistema de comentários), sempre visitar o blog do visitante, sempre deixar um comentário no blog do visitante, responder a eventuais perguntas, continuar discussões começadas!
** Para quem não gosta de publicidade, ou simplesmente quer mais do que os 1024 caracteres permitidos pelo Blogger: Escreva para o nosso emeio! Apesar da fama, ainda fazemos questão de ler cada emeio que nos é enviado, respondemos e consideramos sugestões tanto de posts como de mudanças no blog!
** Quer conhecer melhor as donas do blog? Dê uma passada no " QUEM SOMOS NÓS", informações diversas sobre a trajetória de vida dessas jovens amigas...
** A aplicada Cristina renovou nossa lista de link! Milhares de novas ligações! Aproveite! Visite alguns!
** Tem enquete nova em ritmo de comemoração! Com o velho estilo, quanto maior melhor, você encontrará a resposta para a nossa pergunta! Logo aí! Na coluna do lado! O que você pensa sobre o nosso blog???
** Já assinou o nosso Guestbook? Já?? Então assina de novo!!!! Não dói e é de graça! Se ainda não assinou, vai lá! Deixe sua marca!
** O Guestmap já está cheio de gente legal, mas o mundo é grande o bastante para todos nós! Dê as caras no nosso mapinha!
** Você pensa que o Foice e Martelo Branco simplesmente surgiu em uma manhã ensolarada no leito esplêndido da internet? Não foi bem assim! Conheça mais sobre como o blog nasceu em " HISTÓRIA DO BLOG"
** Já que já temos uma certa experiência.... Estamos concorrendo no Ibest! Para fazer nosso dia vote! Peça para a família inteira votar!
** Quer textos interessantes sobre algum assunto atual ou passado? É para isso que estão aí os GRAMPEADOS DO FOICE, informação para quem gosta de se informar!

Esperamos estar por aqui por mais muito tempo!!
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Sexta-feira, Setembro 19, 2003
Boom! Boom!
 Demoramos a tocar no assunto, mas aqui estamos. É importante discutir o Estatuto do Desarmamento, que está na Câmara. Na época em que assisti ao Tiros em Columbine, de Michael Moore, discutimos amplamente a necessidade de se restringir o comércio de armas e como a facilidade para se possuir armas nos EUA é grande responsável pela violência daquela sociedade.
Agora quero trazer a discussão para o Brasil. Segundo a coluna do José Sarney (desculpem usar essa fonte, mas é a mais viável no momento) de hoje, "as estatísticas mostram que 75% dos crimes de homicídio são cometidos por porte ocasional de armas de fogo, que não seriam cometidos se a pessoa não estivesse armada." Enfim, acho que ninguém duvida que, quanto mais armas, mais tiros. É ilusão acreditar que estamos mais seguros por termos armas em casa.  Se os "bandidos" que teremos de enfrentar já estão armados, como poderemos ameaçá-los? De qualquer maneira, o raciocínio é regido pela lei do "matar ou morrer", que traz vítimas dos dois "lados". E a sociedade apenas fica mais e mais violenta e perigosa...
Foi pensando nisso que decidiram criar o estatuto, com ajuda de campanhas sociais e passeatas por várias partes do país, nas últimas semanas. Seu objetivo não é proibir a comercialização de armas (já que isso apenas aumentaria o tráfico), mas restringi-la. Os principais pontos do relatório são (fonte: jornal Hoje em Dia):
- Podem portar armas de fogo integrantes das Forças Armadas, das polícias Militar, Civil e Legislativa (Câmara e Senado), além de guardas municipais em cidades com mais de 500 mil habitantes, mas somente em serviço.
- Agentes penitenciários, agentes dos quadros efetivos do Ibama e de empresas de segurança privada também poderão portar armas em serviço.
- A permissão de porte de armas para os caminhoneiros, prevista no relatório inicial, foi retirada.
- Ficou estabelecida em 25 anos a idade mínima para adquirir o porte de arma de fogo, como estava previsto no texto original do Senado.
- Foi retirado do projeto o item que previa um referendo em 2005 para saber a opinião da população sobre a proibição ao comércio de armas.
- A comissão revogou, ainda, o dispositivo que considerava inafiançável o crime de porte ilegal de armas.
- A concessão do porte de armas deixa de ser exclusiva da Polícia Federal. Pelo acordo, o porte poderá ser concedido pelas secretarias estaduais de Segurança Pública, desde que seja feito um convênio com o Ministério da Justiça.
- A pena para o crime de tráfico de armas será elevada de dois anos para oito anos de prisão.
Eu acho que já houve avanço, embora algumas coisas ainda devam ser melhoradas. Agora é esperar para ver se o projeto será mesmo aprovado, já que o lobby da indústria de armas não é dos mais insignificantes (embora nem se compare ao existente nos EUA, conforme mostrado no documentário de Moore). E enquanto a lei não é aprovada, os cidadãos aproveitam o tempo para comprar correndo suas pistolas e revólveres.  Aqui em Belo Horizonte, segundo o mesmo jornal mineiro, a procura em lojas especializadas da cidade aumentou em 30%. É o armamento a qualquer custo. O problema é que esse custo pode sair muito caro. Entre os 718 homicídios registrados este ano em BH, 73,81% foram vítimas de armas de fogo. O que é preciso é levar essa discussão para a sociedade e fazer com que as pessoas entendam a ilusão que é a proteção oferecida por uma arma de fogo. O estatuto por si só não adiantará muito se os cadastros não forem feitos corretamente e se as pessoas continuarem recorrendo às armas ilegais.
(fonte: Folha de São Paulo, Hoje em Dia. Fotos: Hoje em Dia e Gettyimages)
por CRISTINA CASTRO
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Americanos inteligentes...
Mesmo tratados como exceção pela maior parte dos anti-política-imperialista dos EUA, não acredito que sejam poucos, confio que lá em cima a porcentagem de pessoas com idéias legais seja mais ou menos igual a do resto do mundo. O problema é que, criados em uma sociedade alienante, essa população pensa-se a melhor do mundo e inatingível.
Hoje, abro a folha e encontro um artigo de um tal de " Thomas L. Friedman" do New York Times, pensei que seria um dos nativos críticos do sistema em que vivem, como é comum quando tiram um texto, sobre esse assunto, de fonte internacional.
O título, e trechos:
"Nossa guerra com a França""A França está se transformando em nossa inimiga."
"Se somarmos a maneira como a França se comportou no período que antecedeu a Guerra do Iraque a seu comportamento durante o conflito e, ainda, se observarmos seu comportamento atual (exigindo alguma espécie de insensata transferência simbólica de poder para alguma espécie de governo provisório iraquiano montado às pressas, enquanto o restante da transição democrática do Iraque seria supervisionada mais por uma ONU dividida que pelos EUA), só poderemos chegar a uma conclusão: que a França quer que os EUA fracassem no Iraque."
" (...) não existe autoridade iraquiana legítima e coerente que seja capaz de assumir o poder a curto prazo, e tentar forçar o surgimento de uma autoridade desse tipo poderia provocar um conflito interno perigoso e atrasar a construção das instituições democráticas no Iraque. Os iraquianos sabem disso. A França sabe disso, razão por que sua proposta original só pode ter sido feita de má-fé.
O que me parece tão espantoso na campanha francesa é que o país parece não ter pensado como um fracasso americano o afetaria"
"Mas a França nunca esteve interessada em promover a democracia no mundo árabe moderno"
"Ter a França a nosso lado no Iraque seria altamente benéfico para ambos os países e para o futuro árabe. É uma pena que o governo francês atual tenha outras prioridades."
Logo percebi que estava errada, que se tratava de um americano típico, e pior, de um formador de opinião americano típico. Por que pior? Simplesmente porque esse é o tipo de artigo falsamente bem intencionado, apresenta argumentos coerentes entre si, apesar de não condizerem totalmente com a realidade. É um texto capaz de convencer os desavisados, os nossos "friends", e alimentar discussões patrióticas que soarão surreais aos ouvidos um pouco melhor informados.
Esse é um dos problemas da nação lá do norte, o modo como as informações são passadas (já discutido por aqui)... E viva as freedom fries....
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Mauro Santayana escreveu um artigo muito bom, publicado no Jornal da Tarde de hoje. Ele analisa os EUA como império, traçando paralelos com os impérios romano e nazista e explicando por que o país pode estar enfrentando sua crise definitiva - falta de orçamento decorrente da invasão no Iraque, falta de um "inimigo" ao estilo da URSS que justifique o domínio (sobre a Europa, pelo menos) e o próprio desgaste do ciclo imperialista. Para ler na íntegra, clique sobre o trecho seguinte:
O Mundo é mais complicado que o Texas
"Chega um momento em que faltam instrumentos aos impérios para a manutenção do território dominado. Nesse momento, buscam consolidar o que têm, mediante concessões que poderão reduzir o seu poder, ou se lançam em uma guerra de vida ou morte. Esse ciclo pode durar muito, ou durar pouco. O Terceiro Reich de Hitler durou 13 anos. A hegemonia norte-americana dura há pouco mais de um século. Estariam os Estados Unidos chegando ao fim de seu ciclo expansionista?
(...) Pode ser fácil arrasar um país pelos ares; difícil é ocupá-lo militarmente e eliminar sua cultura. Se não houver a retirada norte-americana e a intervenção equilibrada da ONU, dentro de algum tempo estaremos assistindo, pela televisão, a cenas semelhantes às que nos foram transmitidas de Saigon."
E eu não poderia deixar de postar a excelente charge do Angeli, publicada na Folha de hoje:
Inspiradíssimo!
por CRISTINA CASTRO
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Quinta-feira, Setembro 18, 2003
Pausa para o palanque
O FMB já está no ar há quase seis meses e agora resolvemos dar uma de metidas e concorrer ao prêmio iBest 2004. Estamos disputando em cinco categorias - Blog, Pessoal Variedades, Política, Governo e MG - e precisamos dos votos dos leitores para passarmos por cada etapa concorridíssima! Não demora quase nada: vocês só precisam clicar nos links que ficam no topo de cada post, ou nessa bolinha do iBest que fica girando sobre a foice, e confirmar o voto para a categoria blog! Depois, se estiverem sem nada melhor pra fazer, podem ir para as outras quatro categorias e confirmar de novo! Esse prêmio vai significar muito para nós duas e contamos com o apoio de todos vocês, votando e divulgando entre seus conhecidos (além de, é claro, continuarem nos visitando e comentando nas discussões). Valeu!

por CRISTINA CASTRO
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Quarta-feira, Setembro 17, 2003
Fechando o debate:::::::
Para fechar o debate sobre o encontro da OMC, começado pelo ótimo artigo da nossa amiga Alice Quintão (dia 15 de setembro), postarei um editoral da folha de ontem:
O IMPASSE DE CANCÚN
Não chegou a ser uma surpresa o impasse ocorrido no encontro da Organização Mundial do Comércio (OMC), que reuniu na última semana delegados de 146 países em Cancún, no México. No entanto, embora as previsões indicassem a questão agrícola como o ponto central da discórdia, o colapso da reunião foi provocado pelos chamados "temas de Cingapura".
Trata-se de uma série de propostas para regulamentar em escala global assuntos como desburocratização alfandegária, compras governamentais e investimento estrangeiro. Os temas referem-se a um pacote discutido em Cingapura em 1996.
Embora à primeira vista algumas dessas propostas pareçam sensatas, elas poderiam ser usadas contra países menos desenvolvidos, que ficariam sujeitos a vistorias e a eventuais punições internacionais. Definitivamente descabida é a tentativa de países ricos de criar leis supranacionais sobre como tratar o investimento externo -com a previsível redução da margem de manobra das políticas nacionais de desenvolvimento.
De fato, depois de já terem acatado as propostas da Rodada do Uruguai, reduzindo tarifas de bens manufaturados e adotando regras sobre patentes, sem que nada fosse decidido quanto à liberalização do comércio agrícola, não cabe agora aos países emergentes darem prosseguimento à agenda de globalização que interessa apenas aos mais ricos.
Embora não deva gerar resultados no curto prazo, a discussão de um cronograma firme de redução de tarifas e subsídios à agricultura deve estar, para o bloco emergente, à frente dos temas de Cingapura -que, para alguns, foram utilizados em Cancún exatamente para desviar o debate da agricultura.
Apesar do impasse, a reunião do México teve sabor de sucesso diplomático para o Brasil, que liderou a formação de um novo pólo na OMC, o até aqui chamado G21, que reúne países emergentes de envergadura, como Índia, China, México, África do Sul e Indonésia. Caso essa nova coalizão venha a ser mantida e consolidada, como tudo indica, a dinâmica dos próximos encontros da OMC não deverá ser mais a mesma depois de Cancún.
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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O leitor Victor Costa nos indicou uma matéria do Jornal da Tarde sobre a pesquisa que classificou os governadores de todo o país. A matéria está muito boa ( clique aqui para ler) e o ranking está emocionante: Alckmin, governador de São Paulo, ficou em quarto lugar; enquanto Aécio Neves, o ditador de Minas, está em antepenúltimo (24°). Esses são os dois mais prováveis presidenciáveis em 2006 pelo PSDB. Eu, pessoalmente, acho que o Aécio tem mais chance de chegar lá - daí porque estou em campanha contra ele.
(A Rosinha também vai muito mal, hein? Nossa, até dói ver esse PMDB depois do nome dela)
por CRISTINA CASTRO
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Terça-feira, Setembro 16, 2003
Agora outras informações sobre o golpe contra Salvador Allende, que ocorreu a 11/9/73. O texto seguinte é do jornalista José de Castro (coincidentemente, meu pai).
EUA provoca 11/9 - com provas
"O Columbia Journalism Review (www.cjr.org) deste mês publica artigo interessante de Peter Kornbluh, baseado nos arquivos secretos da Casa Branca e da CIA já liberados, que confirmam a participação dos EUA no golpe contra Salvador Allende, há 30 anos. Pela primeira vez, os documentos mostram que a CIA gastou entre 1971 e 73 mais de 8,4 milhões de dólares (valores atualizados) com os 15 jornais de Agustin Edwards, entre eles El Mercurio, para preparar a opinião pública para o golpe de Pinochet. Na época da eleição de Allende, Edwards era considerado o homem mais rico do Chile, uma espécie de Rupert Murdoch chileno. Ele continua vivo e influente. A operação da CIA no Chile foi atorizada pessoalmente pelo presidente Nixon, por recomendação de Kissinger, que passou os últimos 30 anos negando essa participação. Em 15/9/70, Nixon ordenou ao diretor da CIA, Richard Helms, que deslanchasse a operação no Chile, podendo gastar 10 milhões de dólares ou mais, se necessário, utilizando os melhores agentes da companhia. Em apenas sete meses, El Mercurio recebeu da CIA 1,965 milhão de dólares (o equivalente hoje a 8,4 milhões). Esse jornal, o maior do Chile, foi também um dos sustentáculos dos 17 anos da ditadura de Pinochet."
( manipulei no título - deu pra notar?)
por CRISTINA CASTRO
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O Ditador Aécio
Já que estamos em campanha aberta contra o governador mineiro Aécio Neves, preciso passar adiante uma informação que nosso leitor Blogueiro nos enviou por email hoje. Há poucos posts atrás demonstramos como o governador atuava na imprensa mineira, interferindo por meio de censura em todas as matérias que o desfavorecessem. Pois bem. Nas palavras do Blogueiro: "O Estado de Minas publicou uma notinha (se não me engano ontem, dia 15) dizendo que, numa pesquisa feita por uma consultoria, o Aécio era o terceiro governador com a pior avaliação dos eleitores em todo o país. O que tem isso de mais? Aparentemente, nada. Mas qual foi a reação do governador? Mandou demitir o jornalista que escreveu a nota - no que, claro, foi prontamente atendido pela direção do jornal."
Minha campanha prosseguirá até as eleições presidenciais de 2006. Tenho birra pessoal contra pessoas que atentam contra nossa já precária democracia. Ah, e se quiserem me ajudar com a campanha, divulgando alguma notícia a respeito, é só mandarem para nosso email.
por CRISTINA CASTRO
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Segunda-feira, Setembro 15, 2003
 Depois de quase cinco dias de discussão, a reunião da OMC em Cancún acabou deixando tudo no mesmo lugar que antes. A ponto de um comissário da UE ter dito " Todos nós poderíamos ter ganhado. Mas perdemos - todos nós". Mas não foi bem assim. Eles queriam defender seus interesses, assim como os representantes dos EUA, mas o Brasil e seu G-20 defenderam os interesses dos países em desenvolvimento e surpreenderam a todos. Celso Amorim resumiu o sentimento de vitória: " Foi a primeira vez que experimentamos a posição de sentar como iguais nessas reuniões". A ruptura poderá influenciar nas decisões a serem discutidas em novembro, durante reunião sobre a ALCA em Miami. Os EUA vão querer jogar pesado, para garantir o que perderam na OMC - mas o Brasil já saberá como reagir... (consultei jornal The Seattle Times)
Como prometido, publicarei agora o artigo da estudante de Relações Internacionais da PUC-MG, Alice Quintão, com o balanço dos cinco dias de reunião e todas as perspectivas futuras. Está bastante esclarecedor e vale a pena ser lido.
Frustração em Cancún
"Chegou ao fim, ontem, a 5ª Conferência Ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Cancún, em clima de decepção. A reforma no comércio agrícola foi posta como o principal ponto das negociações da reunião e foi o tópico, dentre os negociados, que recebeu mais atenção da mídia.
O Brasil se destacou nessa Conferência por assumir um papel relevante nas negociações, liderando, conjuntamente com a Índia, o G-20 - grupo que representa mais da metade da população mundial (contando com os dois países mais populosos do mundo, China e Índia, o maior da América Latina, Brasil, o maior da África, Nigéria, e o maior país mulçumano, Indonésia), 65% dos agricultores, quase 50% da população rural e a maioria dos pobres do planeta. Com isso surgiram três grupos que puseram seus interesses em jogo nesta rodada da OMC: o G-20, a União Européia e os EUA.
O G-20 (que posteriormente tornou-se o G+, com o ingresso de outros países) foi para Cancún buscando a liberalização do comércio de produtos agrícolas, além da retirada dos subsídios concedidos pelos EUA e UE aos seus produtores.
Essas negociações estavam ocorrendo a passos curtos, cheios de impasses, entre países em desenvolvimento e os desenvolvidos, e tudo sinalizava que a conferência apresentaria em seu final uma declaração propondo a redução gradual dos subsídios agrícolas de alguns produtos - o que seria, de certa forma, um ponto positivo para os países em desenvolvimento.
Mas tudo mudou quando, neste domingo, ultimo dia de negociações, ocorreu uma ruptura. Os países desenvolvidos queriam colocar em discussão as questões de Cingapura (referentes a investimentos, concorrência, mercados públicos e formalidades alfandegárias), assim chamadas por terem sido primeiramente discutidas nessa cidade.
Os países em desenvolvimento rejeitaram discutir o assunto, entendendo que os países ricos estavam impondo uma agenda e desprezando suas reivindicações. O tema central, a liberalização dos produtos agrícolas, foi abandonado. O fracasso da Conferência se deu quando um grupo de 70 países da África e do Caribe decidiu abandonar as negociações. Assim, a 5ª Conferência Ministerial da Organização do Comércio chegou ao fim sem nenhum tipo de acordo ou declaração ministerial.
Pode-se dizer, então, que o fracasso veio da incapacidade dos países ricos e pobres de superarem as suas divergências.
Enquanto as delegações dos 148 países membros da OMC (Camboja e Nepal manifestaram suas adesões à OMC em Cancún) lamentavam o final das negociações, representantes de algumas ONG´s e ativistas antiglobalização comemoravam o colapso.
Apesar do fracasso do evento, deve ficar claro que Cancún foi apenas uma etapa da Rodada de Desenvolvimento de Doha, iniciada em novembro de 2001, e que após ela se iniciarão mais negociações quanto à liberalização, em Genebra. A rodada de Doha só chegará ao seu fim no final de 2004.
O Brasil saiu fortalecido da Conferência, apesar de tudo. A formação do G+ é singular; nunca os países em desenvolvimento e os subdesenvolvidos se encontraram tão fortalecidos como agora, com uma representatividade tão grande. Pela primeira vez se viu uma alternativa viável ao unilateralismo dos países desenvolvidos. Além disso, pela primeira vez tentou-se romper o desequilíbrio das negociações mundiais de comércio, que vem ocorrendo desde a década de 50.
O G-22 tem, agora, que buscar se manter coeso e coerente, pois existe um risco enorme de os países desenvolvidos formarem acordos bilaterais e tenderem a deixar de lado aqueles países em desenvolvimento que mais precisam da proteção da OMC."
por CRISTINA CASTRO
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Domingo, Setembro 14, 2003
A Terceira Reforma
Não, ainda não vou falar da Trabalhista (a reforma que mais precisa ser discutida, mas ainda está longe de ser feita lá no Congresso). Quero discutir a Ministerial, que deve ser feita entre outubro e novembro deste ano, e não deve exigir toda essa mobilização que reformas como a Previdenciária e Tributária exigiram.
Mas, ainda assim, deve ser discutida. Porque tudo, para mim, está soando como uma enorme troca de favores e politicagem irritante. A começar pela entrada do PMDB no governo, que eu caracterizaria como um fisiologismo nojento. Vamos ver se vocês concordam comigo...
Miro Teixeira, do PDT, ocupa a pasta das Comunicações e deve entregá-la a alguém do PMDB. Essa pasta tem grande orçamento e é muito importante dentro do governo, sendo, por isso, almejadíssima pelos peemedebistas. O PDT que se dane, já que está na oposição. A solução para Miro seria mudar de legenda - indo para o PSB, por exemplo, e entrando na pasta de Ciência e Tecnologia, hoje ocupada por Roberto Amaral. Afinal, qual é o problema em mudar de legenda? É tudo a mesma coisa. E o PMDB não quer Ciência e Tecnologia, porque não tem o mesmo poder da outra pasta.
Por outro lado, o Ministério das Cidades, hoje do petista gaúcho Olívio Dutra, também deve ir para o PMDB. A pasta tem pequeno orçamento e Dutra é amigo pessoal de Lula (nada como uma camaradagem na política, hein?).
Benedita da Silva deve continuar com sua pasta da Assistência e Promoção Social. Mas José Graziano provavelmente sai do Fome Zero. Os ministérios de Saúde e Educação devem se manter sob controle petista. Acho que Humberto Costa está longe de ser um ministro ideal, mas espero que Cristóvam Buarque continue com sua pasta, pelo menos para ver se o novo programa vai pra frente. Uma boa notícia: Anderson Adauto (PL), até o pescoço com acusações de corrupção, deve sair do Ministério dos Transportes. Alfredo Nascimento, prefeito de Manaus e também do PL, deve substituí-lo. Mas quem é Alfredo Nascimento?!
Enquanto isso, a pasta do Meio Ambiente está largada com apenas 0,1% do orçamento total da União. O RS$ 1,58 bilhão destinado à pasta no ano que vem não dá nem para cobrir a primeira etapa de despoluição da Baía de Guanabara. Marina Silva vai ter que fazer milagres, mas tem muita boa vontade. E a situação, a meu ver, é esta: bons nomes com pouca verba e pastas ricas sendo dadas para sanguessugas do PMDB. Assim fica difícil.
por CRISTINA CASTRO
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Uma notícia me chamou a atenção hoje, enquanto lia o Jornal do Brasil: o serviço de inteligência do governo, em busca de novas lideranças de trabalhadores sem-terra e de milícias organizadas por fazendeiros, descobriu grupos rebeldes querendo criar as Forças Armadas Revolucionárias do Brasil. As Farb atuariam por meio de luta armada, exigindo reforma agrária e melhor distribuição de renda. O MST e outros grupos ligados à questão agrária dizem desconhecer a formação desse grupo.
Coisas a pensar:
1- o campo está se radicalizando, em virtude, principalmente, da atuação da direita contra grupos organizados como MST e Pastoral da Terra. O tiro deles (direitistas) está saindo pela culatra e ainda vão se arrepender muito por isso.
2 - O governo fica nessa lerdeza toda e ameaçou os sem-terra com um superargumento: quem invadir terras, sai da lista de cadastramento. O resultado é a união de dissidentes em grupos como essa suposta Farb.
3 - Se for para haver uma revolução - comunista ou não - no Brasil, certamente será organizada pelos "camponeses". Operários não se envolvem mais e sindicatos não fazem mais nada (líderes sindicais tornaram-se pelegos e ficam nisso). Essa notícia me lembrou um poema-figura do escritor Fabiano Queiroga, que se encontra em seu site Óculos Escuros. "O Martelo Foi-se" (o site dele é muito interessante, visitem!).
4 - Fico pensando o que faz um grupo escolher nome idêntico ao outro, da Colômbia. Que falta de criatividade...!
por CRISTINA CASTRO
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Quando falamos em 11 de setembro não podemos deixar de falar em outro assunto: a indústria bélica. Os empresários que trabalham nesse setor provavelmente levantam as mãos aos céus todos os dias para agradecer pelos atentados ao World Trade Center (isso se, segundo minha teoria da conspiração, não estiverem diretamente envolvidos no conflito). Afinal de contas, os negócios nunca estiveram melhores, desde então.
Nos dezoito meses que sucederam os ataques, os gastos com armas no mundo aumentaram em 6%, o equivalente a US$ 850 bilhões (133 dólares para cada pessoa do planeta!). Não é preciso ser nenhum gênio para saber que os EUA lideram o grupo de países onde os gastos militares aumentaram. Eles têm 43% dos gastos militares do mundo. Gastos que, lá, aumentaram em 26%, no período entre 2000 e 2002.
Na Europa, apenas Inglaterra e França tiveram aumentos significativos. Na Ásia, China e Índia competem pela supremacia na região, com aumentos também grandes.
O que isso tudo significa? Bem, no mínimo - e para ser bastante óbvia -, significa um mundo em tensão. Ainda longe de representar a corrida armamentista do período da Guerra Fria, mas ainda assim bastante tenso. E, vejam bem, não estamos em meio a nenhuma Primeira ou Segunda Grande Guerra. Vivemos uma guerra sem fronteiras, desencadeada por atentados terroristas ocasionais, conflitos localizados e intervensões da potência-em-crise, os EUA. Talvez isso seja mesmo a Terceira Guerra Mundial. Que teve início no 11/9 e final desconhecido. Peço licença ao Carlos Heitor Cony para colocar trecho de sua crônica de quinta-feira, publicada na Folha:
"Passados dois anos, pode-se dar razão aos que consideraram o 11 de Setembro como o início da terceira guerra mundial.  Uma guerra sem fronts, sem trincheiras, sem movimentação de tropas e sem armamentos, uma guerra tecnológica, de informações e contra-informações, de estragos inicialmente localizados em Nova York, Washington e Bagdá.
Uma guerra em que as batalhas não se travam num território específico, com alvos previamente definidos. Tanto os terroristas podem atacar em Los Angeles ou em Londres como o Pentágono pode declarar que o inimigo a ser destruído é Arafat ou Chávez.
Ao se iniciar a Segunda Guerra Mundial, o mundo ficou espantado com o duelo entre os tanques nazistas e a cavalaria polonesa. Uma guerra que durou cinco anos.
A terceira faz hoje dois anos e mal começou."
Pelo menos a corrida armamentista deixa claro que não estamos em Paz...
(Consultei o Jornal do Brasil de hoje e a Folha de S.Paulo de quinta. Última foto do www.gettyimages.com)
por CRISTINA CASTRO
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Sexta-feira, Setembro 12, 2003
E quem se lembra delas?
Já discutimos muito sobre o papel dos jovens e onde esses jovens se encaixam na sociedade brasileira. Agora, vou baixar um pouco a faixa etária e discutir sobre as crianças. Elas são o futuro do Brasil? Tendendo para o óbvio... E que futuro será esse?
O simpático suplemento da folha "Folhinha" trouxe, no sábado passado, junto com as comemorações do seu 40° aniversário, o resultado de uma pesquisa feita pelo Datafolha para traçar o perfil das crianças brasileiras.
Abaixo vão alguns dados da pesquisa, sobre o problema da fome e da moradia, junto com declarações das crianças:::
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Menino ouve a barriga roncar "Em casa não tem nem pão nem leite para enganar a fome",
diz mãe de Mayara; a fome aflige 19% das crianças
LUCRECIA ZAPPI ,BRUNO
LIMA - FREE-LANCE PARA A FOLHINHA
Ao escutar a própria barriga roncar de fome, Júnior, 11, que vende balas no sinal e não sabe seu nome completo, diz:"Engulo a fome" .À noite, em casa, que ele define como um "barraco sem tijolo", come pão ou feijão com farinha, quando tem.
Quem come todos os dias uma comida sem vitaminas e nutrientes passa fome, mesmo que tenha a sensação de barriga cheia.Mayara come na creche
"Quando ela volta da creche, pergunto à minha filha se ela comeu", diz a mãe de Mayara de Castro, 3, e de Gabriela, que tem sete meses. Elas moram em Vargem Grande. À noite, geralmente não há o que comer na casa de Mayara. "Hoje de manhã ela pediu pão, e meu marido chorou, porque nem dez centavos a gente tem para comprar", diz a mãe.
Ovo é dividido no almoço Bruna Luiza de Castro e Silva, 2, é prima de Mayara e Gabriela e está desnutrida, como elas. As famílias vizinhas chegam a dividir um ovo para almoçar, com arroz e feijão, quando tem. "A pior coisa do mundo é minha filha me pedir um fruta e eu não ter dinheiro para comprar", diz a mãe de Bruna. A menina também freqüenta a creche em Vargem Grande.
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"É ruim, é rato, é frio"
Crianças que vivem nas ruas de São Paulo contam como é não ter casa; pobreza assusta três em cada dez crianças
BRUNO LIMA - FREE-LANCE PARA A FOLHINHA
São quase 8h, e o termômetro indica 10ºC no centro de São Paulo. No Glicério, Alecsandro Silva, 8, explica como é dormir na rua: "É ruim, é rato, é frio".
Alecsandro diz que ouve barulhos, que tem medo, que vê ratos durante a noite. Com o pai e a mãe, ambos desempregados, dorme no chão, enrolado a uma lona. Nas mãos, sujas de terra, tem pequenas feridas. Do último banho ele nem se lembrava. "Quando eu tomei banho, mãe?", perguntou. A mãe respondeu que tinha sido três dias antes. Israel Moreira, 12, e sua irmã, Natália, 5, são filhos de Romário Moreira, 47, carroceiro que junta ferro-velho.
À noite, o pai encosta a carroça em um muro, joga por cima um pedaço de pano ou de lona, e ali a família dorme.
Israel tem saudade da escola, da mãe, que morreu, e do barraco onde morou. "Tiraram a gente de lá", conta. Às vezes, ajuda o pai. Às vezes, brinca de futebol. Natália tem nas mãos uma bola de isopor e dois garfinhos de plástico. "É para brincar", explica ela.
Daniel parou de estudar "É muito longe." Daniel Bruno de Souza Filho, 11, está matriculado na quinta série, mas não vai à escola desde junho. "Mudei de casa. Vim morar com meu irmão mais velho, e nossa casa é mais longe." O irmão, que é entregador de pão, não tem tempo para levá-lo. "Minha mãe não quer que eu atravesse a avenida sozinho." Daniel brinca na rua e gosta do livro "Os Saltimbancos".
Continua....
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Saindo da órbita:
LIBERTE UM LIVRO!
Para quem ainda não ouviu falar::::::::::
Está acontecendo uma campanha de libertação de obras literárias. Sabe aquele livro, que você leu, adorou, recomendou para todos os seus amigos, mas ,passado algum tempo, abandonou nas prateleiras empoeiradas da estante?
Pegue! Encaminhe-se para algum lugar público, movimentado, escreva uma dedicatória no estilo "este livro é seu, pode pegar" e deixe-o a vista dos transeuntes.
PS: Se preferir, escolha uma biblioteca comunitária em algum bairro carente e faça sua doação!
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Quinta-feira, Setembro 11, 2003
Teoria da conspiração
Agora quero responder à última pergunta do último post. Uma pergunta já feita por várias pessoas, nessas várias análises que já foram pensadas nos últimos dois anos. Mas quero deixar claro uma coisa: depois de dois anos, as feridinhas já foram mais que cicatrizadas e podemos pensar como gente grande, sem frescura e babação. Pensar com frieza. Pensar sob um único foco, aqui no FMB. E a pergunta é: quem é que lucrou com os atentados de Nova Iorque?
Resposta: os EUA, sob todos os ângulos por que se olhe a questão. Ou melhor: aqueles que estão governando os EUA agora. Depois dos ataques, que até hoje não têm autor declarado (o que é muito estranho, em se tratando de um ataque terrorista), os republicanos invadiram o poder, Bush conquistou apoio de maioria esmagadora da população para invadir o Afeganistão (área estratégica), conseguiram apoio para invadir o Iraque, pegaram o petróleo para si e ainda têm força suficiente para competir e até ganhar as eleições do ano que vem. E quem é Bin Laden? Ninguém sabe, ninguém viu. Onde está Saddam? Só Alá sabe (e olhe lá!), mas grande parte da população norte-americana ainda acredita piamente que ele foi responsável pelo ataque ao WTC. O que supostos grupos terroristas conseguiram com suposto ataque terrorista? Nadica de nada. Será que é teoria da conspiração, paranóia minha, ou realmente tudo leva a uma só conclusão?
Bem, não fui só eu quem pensou isso. Recebi por email um texto muito interessante, há alguns meses atrás, assinado por um francês, que analisava cada fato do atentado, com fotos e argumentos de física e matemática, tentando me convencer de que o ataque fora forjado pelo governo dos EUA. E esta semana recebi mais um, este assinado por um brasileiro, com acréscimos à teoria. Se é verdade ou ficção, só o tempo dirá. Mas dá muito em que pensar... Para ler, cliquem no Grampeado seguinte:
http://www.tamoscomraiva.blogger.com.br/11setembro
Ademir Paixão, Gazeta do Povo (PR)
por CRISTINA CASTRO
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Outro 11 de setembro
E falando em 11 de setembro, não poderia deixar de falar do Chile. Há trinta anos o governo socialista democrático de Salvador Allende, eleito pelo povo, sofreu um golpe que colocaria Pinochet no poder. O Chile, país de enorme tradição democrática, se tornaria um modelo de regime de terror na América Latina. E quem foi mesmo o articulador do golpe? Ah, sim, o governo estadunidense (mais precisamente o presidente Nixon). Se os ataques de 11 de setembro, ocorridos há dois anos atrás, foram mesmo realizados por grupos terroristas, talvez a data não tenha sido escolhida ao acaso...
Mas será que foram mesmo realizados por grupos terroristas?
por CRISTINA CASTRO
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Antes de falar dos atentados de Nova York, que já estão sendo discutidos à exaustão em todos os jornais de hoje, acho que vou discutir outras coisas interessantes que aconteceram e que também merecem destaque. Afinal, não é sempre que temos jornais tão fartos de notícias como hoje - bom aproveitar.
Calote neles!
Há uns dois posts atrás eu estava dizendo que o Celso Furtado andava gagá e calote é uma grande idiotice de se defender. Pelo menos na situação de dependência econômica em que o Brasil se encontra. Para mim, era preciso renegociar a dívida, buscar meios de romper o mais rápido possível com FMI (trocando exigências de aumentar superávit primário por investimentos em projetos sociais, como era idéia do PT) e de fazer alianças com outros países para ajudar a encontrar soluções para o pagamento da dívida externa.
Ontem, mordi minha língua.
A Argentina decretou moratória, deixando de pagar 2,9 bilhões de dólares ao FMI. O mundo ficou preocupado, os diplomatas do Mercosul ficaram com medo da má fama - mas hoje Kirchner negociou novo acordo com o Fundo, muito mais vantajoso para o país. Se antes a meta para o superávit primário deveria ser de 4%, conseguiram neste acordo passar para 3%. Também conseguiram eliminar um cronograma de reajuste das tarifas públicas e de compensação para os bancos pela pesificação dos depósitos. Nos próximos três anos o país deverá receber U$21,9 bi.
Ronaldo, Jonal do Commercio (PE)
Enquanto isso, no Brasil...
Lula deu sinal verde para que Palocci renegociasse com o Fundo. Segundo a equipe, o país não precisa, do ponto de vista financeiro, desse apoio do FMI. Mas é tudo uma questão psicológica: têm medo da reação do mercado, caso desistam do apoio do Fundo, já que esse apoio dá credibilidade a nossa política econômica. Nos próximos anos, a equipe petista deve manter a política fiscal ortodoxa adotada, mantendo o superávit primário com meta elevada. Aliás, aumentaram a meta de 3,75% para 4,25 - sem que o Fundo pedisse e sem exigir nada em troca. Vai entender...
Talvez Furtado tenha razão. Talvez já esteja na hora de darmos o calote neles - nem que seja para assustá-los um tiquinho. Nunca me esqueço de que foi justamente quando a Argentina deu calote em credores privados, em fins de 2002, que ela começou a sair da lama em que estava (apesar de muitos afirmarem o contrário). Mas, como disse não-sei-quem (talvez o Clóvis Rossi? Ou o Nassif? Esqueci...), o Brasil já chegou no fundo do poço. Não dá pra descer mais, agora é estagnação ou crescimento. Quanto otimismo...!
Ivo Akio, Folha de Londrina
por CRISTINA CASTRO
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Quarta-feira, Setembro 10, 2003
Na agenda: OMC na segunda que vem
Hoje começou a reunião da Cúpula Ministerial da OMC lá em Cancún, que continuará até domingo. O Brasil vai ter que tomar importantes decisões, principalmente em relação a comércio agrícola. Mas as negociações vão além: "redução de tarifas para bens industriais, investimentos, compras governamentais e propriedade intelectual" ( Miguel Rossetto, Ministro do Desenvolvimento Agrário, num artigo da Folha de hoje). O Brasil, mais uma vez, terá que demonstrar a força da sua política externa, como um dos maiores representantes dos países em desenvolvimento - exigindo maior competitividade para esses países, que sempre foram obrigados a abrir mercado para produtos de fora e enfrentar barreiras para seus produtos mais competitivos (os grandes dão as cartas, não é mesmo?). A distorção é muito grande mas, pela primeira vez, os países em desenvolvimento terão força para exigir mudanças significativas. O Brasil se uniu a outros 19 países (Índia, China, África do Sul, México e toda a América do Sul, exceto Uruguai) e contruíram proposta conjunta para negociações agrícolas. Esse grupo tem mais da metade da população mundial! A União faz a força, certo? Foi a diplomacia do Brasil que mais se destacou nessa imposição. Se a OMC pretende democratizar o comércio, vamos ver como o fará...
O FMB fará um balanço dessa reunião na segunda-feira próxima. Para isso, contaremos com a ajuda da nossa amiga Alice Quintão, estudante de Relações Internacionais na PUC-MG, que escreverá um artigo a respeito. Vamos ver se terá sido válido ou se o unilateralismo vai continuar regendo a atual ordem econômica do mundo...
por CRISTINA CASTRO
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Terça-feira, Setembro 09, 2003
Volutas = "vontade" e origina "voluntariado"
É assustador:
apenas um em cada quatro brasileiros consegue ler e escrever e aprender através disso. Sim, 75% do povo brasileiro é analfabeto absoluto ou consegue ler apenas um texto simples (os chamados "analfabetos funcionais", que não sabem interpretar textos, apesar de conseguir decodificar os símbolos).
 O IBGE calculou que existem cerca de 16 milhões de analfabetos no país. Cristóvam Buarque adotou o critério do analfabetismo funcional - e aí o número salta para 30 milhões de brasileiros.
E é claro que a educação está diretamente ligada à renda. As discrepâncias regionais são gritantes. Além disso, entre os que têm renda de mais de dez salários mínimos, há 1,4% de analfabetos. Entre os que ganham menos de um mínimo, a taxa sobe para 29%.No nordeste, a taxa de analfabetismo das famílias mais pobres é 20 vezes maior do que a das famílias mais ricas...
Educação é fundamental para a formação do senso crítico das pessoas. Para que elas sejam capazes de desenvolver sua opinião e discernir valores da sociedade - e lutar em nome de uma consciência. Quem não lê, está sujeito a ser enganado a todo momento, porque a ignorância é muito perigosa nos dias de hoje.
''Podem me pedir para entregar um bilhete e neste bilhete pode estar escrito para me prender ou me matar que não vou saber''
É claro que as ações dos políticos são fundamentais para mudar esse quadro. Mas não adianta nada esbanjar aumento nas matrículas, como fez FHC (que acabou ajudando a elevar nossa posição no IDH), e manter uma qualidade baixíssima do ensino. A baixa qualidade forma analfabetos funcionais. E o desafio do goberno petista é muito grande.
Ontem foi lançado mais um projeto da pasta de Buarque, com todas as pompas exigidas. Lula pretende erradicar o analfabetismo até 2006 (cerca de 20 milhões de pessoas, na meta). Como o Estado não tem recursos para isso, apelou para a sociedade. O projeto pretende pagar 15 reais por aluno/mês para cada ONG, Igreja, Instituição privada e empresa que se comprometer a alfabetizar. Já no mês que vem a Câmara deverá aprovar projeto de lei que dará mais R$100 milhões para aumentar os beneficiados. Uma vantagem do Brasil Alfabetizado é a existência de uma avaliação ao final do curso. A princípio ele teria 260 horas de duração, divididas em seis meses. Minha dúvida é se seis meses são suficientes para alfabetizar alguém. É preciso haver uma integração desses alunos à rede regular de ensino, para que haja continuidade no aprendizado - e não uma proliferação de analfabetos funcionais.
O ministro está otimista: 3 milhões de alfabetizados este ano, 6 milhões em 2004, 6 milhões em 2005 e 5 milhões em 2006. Eu também estou confiante. O projeto é grande, o país é um continente e 20 milhões é gente pra burro. Mas envolver a sociedade é sempre positivo (daí porque costumo defender o Fome Zero) e pagar por isso é um incentivo. Se o país conseguir enxergar a importância de uma população educada, finalmente poderá perceber a existência de verdadeiros cidadãos - conscientes de sua atuação na sociedade. Isso, sim, é uma possível solução para o problema da crise brasileira. Se Finlândia e Coréia do Sul conseguiram, por que não podemos também?
''O importante do ponto de vista de uma educação libertadora é que os homens se sintam sujeitos do seu pensar, discutindo o seu pensar, sua própria visão do mundo, manifestada nas suas sugestões e nas de seus companheiros'' (Paulo Freire)
(consultei os jornais Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil e Hoje em Dia. Para ver a lista de instituições credenciadas, clique aqui.)
por CRISTINA CASTRO
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Luciana é contra a reforma - por quê?
Já que nossa pauta principal agora é a Reforma Tributária, queria colocar a opinião da deputada Luciana Genro que recebi hoje pelo Boletim Eletrônico 25, do Gabinete dela. Já expressei aqui minha opinião antes: acho que a reforma foi apressada e sofreu o mesmo mal da Previdenciária. Mas, ainda assim, teve seus pontos positivos. Os argumentos da deputada gaúcha são válidos, porque o problema da justiça nos impostos brasileiros ainda não foi resolvido mesmo. Mas é fácil cobrar...
" Meu voto é não à esta reforma tributária. Em primeiro lugar, por que ela não toca no tema essencial da tributação no Brasil. Pela omissão perpetua a brutal injustiça fiscal que reina em nosso país. O peso da carga tributária no país se dá essencialmente sobre o consumo e não sobre a riqueza e a propriedade. Isto significa que quem consome tudo o que recebe (os que ganham menos) paga muito mais imposto do que os que conseguem acumular riqueza e propriedade. O trabalho publicado pela FENAFISCO - Federação Nacional do Fisco Estadual - em janeiro deste ano é categórico ao mostrar os dados que ilustram este e outros problemas do nosso sistema tributário. Demonstra que quem paga imposto no Brasil são os trabalhadores, sobretudo os mais pobres. E estes não são beneficiários dos impostos arrecadados pois os serviços públicos estão cada vez mais sucateados. Inverter esta lógica deve ser o eixo de qualquer reforma tributária que busque reverter a injustiça social no Brasil. Esta proposta que votamos hoje, passa muito longe desta necessidade.
Há muito se fala de reforma tributária no Brasil. Entretanto, com certeza, existem visões opostas sobre que tipo de reforma é necessária. Os empresários queixam-se da alta carga tributária, quando na verdade são os trabalhadores que pagam. Este parlamento nunca votou nada que mexa nesta inversão de valores. Desde 1998 várias mudanças já ocorreram na legislação tributária mas todas elas tiveram unicamente o objetivo de promover um brutal ajuste fiscal, para que o governo tivesse condições de atingir suas altas metas de superávit primário. Esta reforma tem exatamente o mesmo objetivo: Prorrogar a DRU até 2007, mecanismo criado por FHC para desviar 20% das verbas constitucionalmente vinculadas à áreas sociais para compor o superávit primário, e que terminaria neste ano. E a transformação da CPMF em permanente, um imposto injusto, sem progressividade e que tributa tanto o trabalho como lucro igualmente.
Tudo isso contraria o que o PT defendia antes de ser governo. No caso da CPMF, a bancada petista chegou a punir um deputado que votou a favor, durante o governo FHC. Estas duas razões, mais a omissão no que diz respeito a injustiça tributária de cobrar mais dos mais pobres, são suficientes para votar contra.
Além disso, todos os aspectos progressivos que estavam inseridos na proposta inicial foram abandonadas pelo governo ao longo da negociação. É o caso da facilitação para regulamentar o imposto sobre as grandes fortunas, que volta à estaca zero.
Por fim, não poderia deixar de emitir uma opinião sobre esta disputa entre governo federal por um lado e Estados e municípios por outro. É absolutamente legítima a luta dos entes federados por mais verbas. É preciso, entretanto, lembrar que os mesmos partidos que hoje reivindicam mais verbas para seus prefeitos e governadores, ainda no primeiro mandato de FHC, fizeram a renegociação das dívidas dos Estados e cerca de 180 municípios, obrigando o repasse de 13% da receita líquida para a União. Este acordo, na época denunciado pelo PT, está estrangulando os Estados e municípios, ainda mais em um ambiente recessivo como o que o governo empurra o país. O mais grave é que este dinheiro, arrecadado pelo governo federal, serve exclusivamente para compor o superávit primário e pagar os juros da dívida.
Portanto, não há saída para os Estados, municípios ou para a União, sem romper com a atual política econômica. O cobertor é curto. O orçamento de 2004 prevê R$ 5,3 bilhões em programas de transferência de renda para os mais pobres e R$ 42 bilhões em transferência de renda para os mais ricos, especificamente os banqueiros credores da dívida. Não há reforma tributária que resolva este problema.
São sábias as palavras dos economista Celso Furtado. Até mesmo para conseguir uma renegociação com o FMI em melhores condições, é preciso uma moratória da dívida.
Foram R$ 89,2 bilhões nestes primeiros 6 meses de governo Lula para pagar juros, o equivalente a 52 orçamentos do Fome Zero. É preciso parar com esta sangria. Partindo daí é que será possível resolver o drama dos Estados e municípios que estão impedidos de fazer políticas sociais. E é pressuposto básico para resolver os problemas dos trabalhadores, dos desempregados, dos mais pobres e mais fortemente tributados neste injusto país".
Luciana Genro PT/RS
por CRISTINA CASTRO
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Segunda-feira, Setembro 08, 2003
Eu não queria falar de Independência de novo, principalmente depois que a TT já postou tanta coisa a respeito. Mas, lendo o Jornal do Brasil, uma noticiazinha me chamou a atenção: "A partir desta semana, o hasteamento da bandeira e a execução do hino nacional serão obrigatórios nas escolas. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou ontem decreto estabelecendo que o momento cívico deve ser instituído preferencialmente às segundas-feiras, no período matutino, e às sextas-feiras, no período vespertino. A assinatura do decreto no pátio do Palácio do Planalto fez parte das comemorações do Dia da Independência."
Meu deus, momento cívico? Que nacionalismo é esse? Hastear a bandeira e cantar o hino, como os estadunidenses fazem, todos os dias, ao declamarem o Juramento solene de fidelidade a seu país? Eu acho babaquice. Eu acho que patriotismo é defender direitos do país, e não aplaudir homens fardados em desfile, ou contar os gols de uma Copa, ou vestir camisetas verde-e-amarelas. Sim, amemos nosso país - mas direito! Lavagem cerebral em nome de um civilismo hipócrita é coisa de colégio militar. Poupem-me desses decretos.
por CRISTINA CASTRO
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Destaque para::::::::
Desfile na Esplanada dos Ministérios
Alan MarquesEstudantes interrompem desfile oficial em Salvador .... E continuam as manifestações contra o ajuste de preços das passagens lá na capital baiana.
"O protesto dos estudantes foi engrossado ainda por cerca de 3.000 sem-terra que chegaram à capital baiana para participar do Grito dos Excluídos. Outros 1.500 sem-teto, moradores de rua, homossexuais, camelôs e ativistas de comunidades negras também se juntaram aos manifestantes após a suspensão do evento oficial."
" O prefeito de Salvador, Antonio Imbassahy (PFL), 53, não acredita que os seus colegas das grandes cidades tenham coragem de reajustar as tarifas de ônibus nos próximos meses, depois dos incidentes ocorridos na capital baiana. Há uma semana, estudantes fazem manifestações diárias, bloqueando as principais vias da terceira maior cidade do país, por causa do aumento da tarifa dos ônibus, reajustada para R$ 1,50.
" Quero ver que prefeito vai ter a coragem de aumentar a tarifa, depois de tudo que aconteceu em Salvador", disse. Preocupado com a situação -os estudantes prometem fazer novos protestos, até que a tarifa volte para R$ 1,30-, Imbassahy quer dividir o ônus com os governos federal e estadual. "Vou apresentar um pacote ao governo federal com propostas para a desoneração das tarifas", acrescentou.
 Pela proposta, a tarifa básica nas grandes cidades poderia ser reduzida em até 35%, de acordo com o secretário dos Transportes Urbanos de Salvador, Ivan Barbosa. "Vamos pedir que o governo federal reduza o IPI sobre as peças de reposição e cobre um preço diferenciado do óleo diesel. O governo estadual entraria com a redução do ICMS. Os municípios reduziriam o ISS e o percentual da taxa administrativa cobrada das empresas", disse o prefeito.
Para Imbassahy, somente a renúncia fiscal pode reduzir o preço das tarifas. "A outra alternativa, que jamais farei, seria manter uma tarifa aviltada e colocar em risco a vida da população." "Com a implementação do pacote, a tarifa em Salvador poderia ser reduzida para R$ 1", disse Barbosa. "
fonte: Folha
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Independência. Por quê?
 Um dos assuntos que me fascina na história geral, principalmente da América Latina. A conquista da independência pelos povos colonizados. Aqui do nosso lado, na América que fala espanhol, tivemos líderes de um movimento que mobilizou a população, ou a elite, ou o povão, ou os escravos, enfim, alguém soube que seu respectivo povo havia ganhado uma identidade própria, não mais vinculado com o velho continente.
Aqui no Brasil foi um pouco diferente. Nossa independênicia foi programada para durar pouco, arquitetada para ter data de validade... Algo deu errado.
Mas a minha questão neste post é : O que leva um povo a querer formar uma nação?
E não falo de questões étnicas ou culturais, fatores mais importantes em outros continentes depois da América. Ou mesmo de nacionalismo e ufanismo... Mas, o que leva uma pessoa, descendente dos próprios colonizadores, após ter dizimado a população original do espaço conquistado, acordando em uma manhã ensolarada, ou passeando de cavalo às margens de um certo rio Ipiranga, respirar fundo e dizer : Independência ou morte?
Muitos dos meus leitores já sabem a resposta: Interesses econômicos. Salvo o caso Haitiano, realmente uma luta pela liberdade que havia sido roubada. Sim, a burguesia americana começa a ver que perde espaço com as restrições feitas pela metrópole, tanto no monopólio comercial como em tratados injustos impostos. E, influenciados pelas idéias iluministas, incentivados pela vitória das 13 colônias lá de cima... Recebendo até uma mãozinha caridosa dos irmãos estado unidenses e ingleses. Conseguiram fazer a guerra que derrotou os seus "exploradores".
Depois, o que veio? Bom, o que já conhecemos: dívidas de gratidão, dívidas em dólar... E assim começa um novo ciclo de dependência... É possível viver sem ela? Não. E até acho que a dependência entre nações pode ser algo saudável, mas não a dependência compulsiva, unilateralista. Em que um manda e o outro só obedece.
 Acredito, também, que todo tipo de exclusão é maléfico, assim funciona com as religiões, partidos políticos e fronteiras. Tudo isso nos fragmenta, nos exclui de algum outro grupo. (tenha cuidado: utopia!) A dependência saudável seria uma mundialização positiva, uma divisão de recursos entre as nações que teriam divisas apenas culturais... Mas deixa pra depois... (utopia, utopia, utopia).
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Sexta-feira, Setembro 05, 2003
A Reforma Tributária foi boa?
É, mais uma reforma foi aprovada em nove meses de governo. Isso é ótimo, por um lado, porque mostra que o governo do PT está conseguindo negociar rápido o suficiente para aprovar projetos que demoraram anos para sequer serem discutidos. E todos sabemos como a Previdência e os Impostos não estavam indo lá muito bem. O que é preciso discutir agora é se essa pressa toda valeu a pena, ou se acabou não mudando grandes coisas. Enfim: foi bom ou ruim para o país? A "bola da vez" (odeio essa expressão, mas vai ela mesmo) é a Tributária...
No final das contas, União, Estados e municípios ganharam com a reforma. O governo federal terá suas receitas garantidas até o fim do mandato Lula, com a prorrogação da CPMF (de 0,38%) até 2007. O fim do ICMS sobre as exportações foi compensado com um fundo de até R$ 7 bilhões anuais. Os recursos da Cide serão redistribuídos beneficiando estados como São Paulo e Minas ("Aecinho" está feliz e saltitante, convocou a bancada mineira do PSDB para votar a favor e disse que os recursos da Cide vão ajudar a melhorar o estado lastimoso das nossas estradas). Os Estados mais pobres foram beneficiados com uma alteração no Fundo de Desenvolvimento Regional, com R$ 2 bilhões anuais. A Zona Franca de Manaus terá suas vantagens garantidas até 2023, atendendo ao lobby de empresários com negócios por lá. Já os municípios saem lucrando com a autorização de criarem taxas para prestação de serviços de limpeza urbana (o sonho de Martaxa Suplicy...!). No fim das contas, com tantos benefícios, todos acabam ficando felizes e o governo conseguiu 70 votos a mais para aprovar a proposta de Virgílio.
Um dos objetivos da Reforma era de reduzir a sonegação e acabar com a guerra fiscal. Para diminuir a burocracia, o ICMS (principal imposto) será regido por apenas uma lei federal (em vez das 27 legislações diferentes). O número de alíquotas cai de 44 para apenas 5. A menor será para cestas básicas e medicamentos de uso popular, com possibilidade de isenção (remota, já que ainda será negociado no Senado, e Estados não querem perder receita). Ponto para o governo. A mudança no ICMS também poderá ajudar nesses dois objetivos de que falei. Mas outros problemas - os mais graves em se tratando do nosso sistema tributário - ainda ficaram pendentes.
Nossa tributação não é sobre a renda e os lucros, mas sobre a produção e consumo de produtos. Os impostos são repassados para o consumidor embutidos nas mercadorias e serviços. Isso acaba prejudicando nossos produtos na competição internacional, em países onde a carga sobre empresas é menor. E os impostos são, ao mesmo tempo, injustos, já que todas as classes sociais pagam o mesmo tanto por cada produto: os 10% mais pobres perdem cerca de 25% de sua renda com eles, enquanto os 10% mais ricos, pouco mais de 10%. A "solução" para essa distorção, encontrada na Reforma, foi encarecer os produtos importados, aplicando a eles impostos como PIS e Cofins.
Os maiores problemas da tributação no Brasil são a carga excessiva e mal-distribuída de impostos. No fim das contas, a Reforma não conseguiu mudar essa situação. Pelo contrário: poderá ainda aumentar a carga de impostos sobre o contribuinte, que não sabe onde diabos é aplicado todo esse dinheiro. Em países da Escandinávia, os cidadãos vêem seus altos impostos sendo aplicados em Educação de qualidade, Sistema de Saúde para todos, todos os gastos sociais beneficiando ao contribuinte. E aqui, onde estão as estradas de qualidade, pagas pela Cide? Onde estão os postos de saúde pagos pela CPMF (originalmente um impostos da saúde)? Sim, o governo Lula foi eficiente em suas negociações, conseguiu votos de partidos aliados e da oposição, foi rápido na aprovação de dois projetos complicados e praticamente só deixou o empresariado insatisfeito (esperavam maior desoneração na produção; mas devem conseguir mais benefícios no Senado). Palmas por tudo isso. Mas as grandes questões ainda estão pendentes - e meu medo é que se mantenham assim, uma vez aprovada a Reforma. É o velho esquema de apenas pintar as paredes da casa pronta a desmoronar...
Charge do Ique, no JB de hoje
(Consulta nos jornais Folha de S.Paulo, Jornal do Brasil e OGlobo)
por CRISTINA CASTRO
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Eu pensei que ninguém fosse se interessar pela questão das matérias-pagas que apenas citei no post Sobre o quê postar hoje. Como muitos se interessaram e a discussão me agrada muito, pessoalmente, resolvi levar adiante neste post. Antes de mais nada, assino embaixo deste artigo de Marcelo Beraba, publicado na Folha de hoje, sobre a credibilidade da minha futura profissão:
"Jabaculê
(...) A administração do ex-governador Jaime Lerner pagou R$ 6,4 milhões para que 76 jornais e revistas do Paraná publicassem textos publicitários laudatórios fingindo ser reportagens.
A prática talvez nem seja ilegal, o Ministério Público ainda investiga. Mas é imoral. Ao camuflar a propaganda oficial, o governo do Estado tentou enganar os paranaenses, fazendo-os crer que os reclames que liam tinham a credibilidade de um jornalismo independente.
O curioso foi a reação de vários coleguinhas jornalistas. Ouvi comentários do tipo: isso não é novidade, acontece em todos os lugares, todo mundo já sabia. É verdade. Infelizmente, a confusão proposital de publicidade com jornalismo, condenada em qualquer ambiente democrático, é antiga, comum e não se restringe ao Paraná.
Exatamente por isso, a reportagem tem tanta importância. É uma vergonha para a imprensa em geral que práticas como essas persistam como se fossem normais, como se fizessem parte do jogo e não sejam rotineiramente denunciadas.
A revelação da Folha desmoraliza os jornais, revistas e agências de publicidade que estiveram envolvidos nas negociatas e questiona o conjunto da imprensa brasileira no que tem de mais sério, a credibilidade.(...)"
por CRISTINA CASTRO
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Quinta-feira, Setembro 04, 2003
Voltando às raízes...
Vejam que engraçado. Os EUA começaram a perder um monte de soldados no Iraque do pós-"guerra" e ficaram com medo de um novo Vietnã. E agora, depois de toda a recusa anterior, resolveram dar o braço a torcer e pedem ajuda à ONU (!). Mesmo assim, é claro, não deram o braço inteiro: ainda querem ter controle político da reconstrução e pretendem manter todo o poderio militar que já se encontra instalado lá. A mudança tática de Bush pede que a ONU organize uma força multinacional para dividir o abacaxi. Uma coisa é certa: essa mudança tática não veio por acaso. Ela reflete o fracasso dos projetos de Paul Wolfowitz e Richard Perle. Reflete a ingenuidade e despreparo dos norte-americanos, que já sofreram várias perdas desde o início da invasão. E, mais importante de tudo: assegura uma imagem menos manchada de George Bush, que pretende se reeleger em 2004 (pausa para bater três vezes na madeira mais próxima). Reparem que essa mancha está crescendo não só fora dos EUA, como também entre os cidadãos estadunidenses.
Charge do Angeli, na Folha de ontem
E os soldados, esgotados lá no Iraque, também já estão implorando para entregar a missão aos voluntários das Nações Unidas. Alguns depoimentos: "A coisa está ficando maluca por aqui, não podemos estar em todo lugar ao mesmo tempo", "É hora de o resto do mundo nos mandar reforços. Estamos pagando por uma parte grande demais de tudo isso. Acho que deveríamos reduzir nossa participação e abrir espaço para outros países", "Acho que teríamos perdido menos gente se a ONU tivesse estado conosco desde sempre", "Acho que muitas pessoas gostariam de vir para cá e nos ajudar, mas não podem, por razões políticas", "Compreendemos a necessidade de tornar as coisas mais legítimas segundo o ponto de vista do mundo externo, mas o mundo precisa compreender que não podemos fazer esse trabalho unicamente com tropas americanas. Combater o terrorismo e reconstruir países é uma responsabilidade internacional." e "Achávamos que estaríamos vendo aqueles capacetes azuis engraçados por toda parte há muito tempo.". Tsc, tsc, tsc... Já não se fazem mais Rambos como antigamente...
por CRISTINA CASTRO
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Grampeados do Foice
No post com a Coluna do Léo, o leitor RMax começou uma discussão sobre as cotas para os negros nas universidades, fazendo gancho com o primeiro parágrafo da coluna sobre o Fome Zero. Já discutimos várias vezes o tema do racismo e de suas implicações na sociedade. Mas é tudo tão bom de ser discutido e tudo tem um gostinho tão saboroso de polêmica, que acho que vale a pena ir além. Por isso, sugerimos a leitura do artigo que RMax escreveu sobre o assunto (muito bem analisado e aprofundado) e que colocamos à disposição no "Grampeados do Foice". É só clicar aí no link:
http://www.tamoscomraiva.blogger.com.br/rmaxcotas.html
(O Grampeados é uma nova seção que dá início a todas as comemorações que estamos preparando para o aniversário de seis meses do blog! Aguardem...)
por CRISTINA CASTRO
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Acompanhando o processo:::::A reforma tributária foi aprovada na câmara.
"O governo conseguiu aprovar, no início da madrugada desta quinta-feira, o primeiro turno da reforma tributária. A PEC 41 (Proposta de Emenda à Constituição) teve 378 votos a favor, 53 contra e nenhuma abstenção --são necessários 308 votos para a aprovação. Votaram 431 deputados.
Mais uma vez, os radicais do PT Luciana Genro (RS), Babá (PA) e João Fontes (SE) votaram contra o governo Lula. Os oito deputados que se abstiveram na votação da reforma da Previdência desta vez votaram a favor."
Trechos dessa notícia do site da folha on line.
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Sutil como um elefante..... Batida essa, não é mesmo? Mas foi a primeira frase que surgiu na minha mente ao ler o texto de Carlos Heitor Cony, ontem, na folha:::
Judas, o arrependidoCARLOS HEITOR CONY
Um filósofo pré-socrático explicou por que só existe uma razão para a coragem e milhões de motivos para o medo. A coragem é direcionada para um alvo específico, pula-se o abismo, enfrenta-se a fera que nos assalta ou o inimigo que nos ataca. Já o medo é omni, universal, teme-se a tempestade, o raio, o naufrágio, a bala perdida, a doença, o imposto sobre a renda.
A eleição de Lula provocou medo em algumas pessoas. Temia-se que ele botasse o Estado de Direito no fosso, inaugurasse um governo populista, na marra, invertendo direitos e deveres do cidadão, promovesse, enfim, a revolução que sempre se espera dos excluídos que chegam ao poder.
Nada disso, até agora, aconteceu. Pelo contrário. Outro dia, um amigo dos mais cautelosos expressava sua admiração por Lula. Estava perplexo, mas exultante. Não votara nele, temia que a inflação voltasse, que houvesse desabastecimento nos gêneros de primeira necessidade, desordens várias e graves.
Todos os dias, procura nas folhas um edital, uma palavra de ordem do governo declarando que foi abolido o direito de propriedade, a inviolabilidade dos lares, a liberdade de consciência. E, como nada encontra nesse sentido, folga e rejubila-se, arrependido de não ter engrossado a grossa torrente eleitoral que colocou o PT no poder.
Peguei a palavra "arrependido" e fiz considerações sobre os grandes arrependidos da história e da lenda. Lembrei que Rabelais, após ter abandonado o sacerdócio, arrependeu-se amargamente e entrou para um convento. Mas logo em seguida arrependeu-se de ter se arrependido e voltou à sua vida de devasso.
E há o caso especial de Judas, o Iscariotes. Traiu seu mestre, beijou-o na face, entregando-o aos esbirros da ordem vigente. Depois, arrependeu-se e enforcou-se numa figueira. Não teve tempo de arrepender-se do arrependimento.
por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Quarta-feira, Setembro 03, 2003
::::::::::Aviso e Lembretes:::::::::
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por MARIA TEREZA NOVO DIAS
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Terça-feira, Setembro 02, 2003
Leonardo Ladeira é meu colega na faculdade, petista roxo, defensor do governo Lula até a morte e futuro colunista de política em alguma revista ou jornal de circulação nacional. Ele escreve colunas e nos envia por email, analisando todas as políticas nacionais sob uma ótica governista. A melhor até hoje foi esta que se segue, em que ele analisa o programa Fome Zero, o porquê de ele ter sido desacreditadopor todos e tachado de demagógico e ainda faz um paralelo muito interessante com o caráter assistencialista das cotas para negros nas universidades, defendidas pelo nosso blog. Achei muito legal e pode servir de ponto de partida para muitas discussões aqui no blog. A maneira pessoal como ele escreve, demonstrando sua confiança total no governo, também pode dar o que falar...
Coluna do Léo
"Digamos que um homem está gravemente ferido. Ele sangra muito, e pede ajuda a outro: 'Chame um médico, rápido, senão morrerei'. O homem saudável ouve isso e, calmamente, cheio de complacência oriunda de uma visão de futuro o faz crer superior, responde: 'Meu caro, o Brasil tem um projeto de civilização que vingará, o mais tardar, daqui a cem anos, daí teremos médico e hospitais para todos. Faça o favor de esperar'. O que pede por um médico representa os negros que querem soluções para suas atuais vidas, e não para as próximas reencarnações; o que substitui a urgência de um médico por um projeto futuro e desejável de justiça social representa todos os viajantes do túnel do tempo, que, sádica ou docemente, se comprazem com o vício psicológico de confundir sonho com realidade."
As palavras do jornalista Marco Frenette, num artigo para a revista Caros Amigos de setembro de 2002, tentava defender as cotas para negros. Foi a única explicação que conseguiu me convencer da necessidade das cotas, ainda que eu não concorde com que elas sejam para negros e sim para a classe mais desfavorecida no geral. Mas hoje quero utilizar o mesmo raciocínio para defender outro programa, que é o carro chefe do governo: o Fome Zero.
Começo então dizendo aos que acusam o programa de assistencialista que ele é realmente assistencialista e isso é bom. FHC, José Aníbal e o PSDB criticam. O próprio Brizola que disse: "Vocês vão ver que ridículo é esse tal de Fome Zero. Nós só vamos chegar à fome zero quando criarmos trabalho digno para todos." É exatamente esse raciocínio que a história do médico derruba. A fome das pessoas que sofrem hoje precisa acabar agora. É a situação mais desumana do mundo e que acontece bem próxima de nós. Nesse sentido o assistencialismo é parte fundamental de um programa como esse, embora seja necessário outras atitudes como geração de emprego e renda e reforma agrária para acabar de vez com a estrutura da fome.
E o governo acertou quando coloca como prioridade essa questão em nível nacional e leva o debate para fora, como Lula tem feito, embora ainda não tenha conseguido atitudes concretas dos "donos do mundo" nesse sentido. Quero aqui provar que o programa tem dado certo. E isso dá para ver pelas informações que circulam no jornal, porque nós, que temos comida mais do que o suficiente para viver, nunca vamos ver esse programa chegar até a nossa realidade. Até setembro 60.000 famílias em 163 municípios mineiros vão estar recebendo a quantia de R$50,00 mensais pelo Cartão Alimentação. Em todo o Brasil, hoje, 128.259 pessoas já são beneficiadas. E o benefício já está sendo sentido por essa população. Enquanto isso é criada a ONG Apoio Fome Zero, que reúne grande parte do PIB brasileiro para captar doações e estruturar projetos para empresas interessadas em contribuir com o programa. Com isso, mais as jogadas midiáticas de famosos doando milhões para o programa, a parte assistencialista vai se garantindo.
Por outro lado, as medidas de longo prazo demoram mais para aparecer. É difícil entender como a reforma agrária anda sendo planejada. Mas eu gosto de acreditar nas pessoas que estão mais diretamente envolvidas com o tema. João Pedro Stédile, líder do MST, após uma reunião com o presidente no dia 2 de julho, afirmou que a reforma agrária é prioridade do governo Lula para o jornal Brasil de Fato que, pela primeira vez desde seu lançamento, em fevereiro deste ano, lançou uma chamada de apoio ao governo (o jornal tem mantido uma linha bem esquerda radical).
O Fome Zero acerta em outras coisas fundamentais como desconcentrar a distribuição dos alimentos das mãos do governo com a criação de comitê municipais e estaduais (por exemplo em MG o responsável é o deputado João Leite), o que tira o seu possível caráter eleitoral e demagógico. Também tem tentado promover o cadastro único dos programas na área social, muito importante para eliminar hipóteses de fraudes.
Por fim, acredito ser um programa que tem de tudo para dar certo, mas que é difícil de enxergar resultados: primeiro porque não envolve a realidade das pessoas que lêem e produzem mídia e segundo porque é muito feito com base no longo prazo. Mas volto a insistir que é preciso acreditar nas idéias. Acho que o José Graziano, ministro responsável pelo projeto, quer muito que dê certo, que a fome acabe e que "cada brasileiro tenha direito a fazer três refeições por dia". Não vamos nos tornar mais alguns dos que criticam e parecem torcer para que não dê certo. Vamos tentar entender o que está acontecendo nesse país e ao menos aplaudir as boas iniciativas.
por CRISTINA CASTRO
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Sobre o quê postar hoje
Os jornais de hoje não mostraram nada que me chamasse a atenção, ou que me desse vontade de discutir a fundo. O máximo que a Folha fez foi colocar uma matéria sobre as notícias pagas no Paraná, que me causou muita indignação - mas que não representou nenhuma novidade. Todo mundo está careca de saber o tanto de jornalista vendido que existe por aí, que está disposto a derreter em elogios ao político Fulano ou à empresa X em troca de alguns trocados (leia-se: uma boa grana). A prática é ilegal (a menos que se coloque um "INFORME PUBLICITÁRIO" no alto da página, coisa que raramente acontece) e contribui enormemente para a difusão de informações erradas para as pessoas. Isso me dá muita raiva e me faz pensar se esses jornalistas não se dão conta da importância fundamental que sua profissão tem para o funcionamento da sociedade. Tudo bem, é querer demais que todos embarquem no Jornalismo por idealismo, como eu. Mas um pouco de ética não faz mal a ninguém...
De qualquer forma, não acho que valha a pena reproduzir toda a matéria aqui no blog, porque nem todos se interessam pelo assunto - e eu acabo exagerando com as notícias sobre jornalismo, simplesmente porque estou muito ligada à questão. E as outras notícias, também lidas no JB: a Reforma Tributária será votada amanhã na Câmara, os EUA resolveram colocar alguns iraquianos pau-mandado no Ministério do Iraque, oito petistas teimosos são suspensos (e os "radicais" ainda querem formar outro partido), Celso Furtado propõe que o Lula dê calote da dívida externa, a campanha eleitoral dos EUA começa, Argentina liberta 39 repressores da época da ditadura, o ator Charles Bronson morre... Enfim, o mundo continua na mesma, a bola não parou. Mas cansei de analisar qualquer uma dessas coisas. E, querem saber? Vou voltar a um assunto aqui de casa, de que a grande mídia já se esqueceu, mas eu não. A fome... Mas, isso, no próximo post.
por CRISTINA CASTRO
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Segunda-feira, Setembro 01, 2003
O segundo texto sobre a ONU vai ainda além e analisa todo tipo de coisas interessantíssimas. Foi escrito pelo cientista político Luis Fernando Novoa Garzon e também está na Novae. Alguns trechos valem a pena:
Nosso western way of life
"(...) A amnésia abre caminho para as memórias instantâneas. Claro, dos homens-bomba palestinos estereotipados ninguém se esquece. Carregam a marca padronizadora da Besta: atentados genocidas contra alvos civis e ocidentais. O logotipo em fantasioso design árabe anuncia o fim do Ocidente, como se precisássemos de alguma ajuda 'externa' para isso. Escombros de instalações ocidentais são o cenário ideal para a construção dos mitos, apocalípticos e salvacionistas, pela ordem. (...) O terror revelou a verdadeira vocação da razão ocidental: a guerra preventiva e permanente como uma incessante auto-afirmação às custas da destruição daquilo que se lhe opõe."
"(...) É preciso emburrecer retroativamente para ser coerente com a visão da Doutrina Bush. A primeira Guerra do Golfo, em 1991, só aconteceu porque era preciso libertar o povo livre do Kuwait do regime tirânico de Saddam, não é? Quem engolir a alegação da existência de armas de destruição em massa nas mãos de fanáticos islâmicos, deve engolir também todas as outras peças de propaganda de guerra já feitas. Quem absorver o cinismo da justificativa democrática para a última invasão do Iraque, que seja cínico o suficiente para justificar todos os expansionimos passados e vindouros. Então fica combinado: a guerra do Vietnã foi uma guerra em defesa do Governo democrático do então Vietnã do Sul frente às ameaças da sociedade totalitária do norte; e a próxima guerra ao Irã será para livrar a humanidade do risco de que os grupos xiitas obtenham armas atômicas. Ponha o dedo aqui. Maniqueísmo parcial não vale."
"Se acha que o grande problema do mundo é o terrorismo, e não a catástrofe da exclusão crescente, multidirecional étnica, social, econômica e digital, relaxe e jogue sua responsabilidade histórica no primeiro bode expiatório que lhe apresentarem. Jogue nas costas do mais fraco seu próprio fardo. Repita consigo mesmo: eu não tenho problemas, nós não temos problemas, o problema são os outros, mate os outros! Uma questão de modo de vida ocidental. Nosso western way of life."
Leia tudo, clicando AQUI.
por CRISTINA CASTRO
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A Nostálgica falência da ONU
"(...) Assim ocorre hoje, com a insistência dos países-membros em manter uma ONU esvaziada, sem autoridade que, passo a passo, vai confirmando apenas seu nostálgico papel de avalista dos norte-americanos em suas histeria bélica. Depois de fazer sofrer o povo do Iraque durante mais de dez anos, e logo após a invasão do país por norte-americanos e ingleses, a ONU quase imediatamente retira as sanções para que os Estados Unidos possam vender o petróleo iraquiano através de suas companhias, enriquecendo suas arcas e garantindo sua independência de fornecimento perante a Arábia Saudita, seu maior fornecedor, que ficou a mercê das injunções que os americanos lhes queiram impor daqui para diante.(...)"
A discussão da Novae desta semana é sobre o atentado à sede da ONU, que matou Sérgio Vieira de Mello. O assunto já foi discutido aqui no blog, mas dois textos da revista merecem destaque, por analisarem de uma maneira muito inteligente o que se passa com essa entidade tão aclamada - e, por outro lado, tão atacada. O trecho acima é de um artigo do economista José Lucas Alves. Para lerem tudo, basta clicar sobre o trecho.
por CRISTINA CASTRO
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O Bonequinho Viu
Com medo de a Reforma não passar, o governo está cedendo e recuando em suas propostas iniciais. Dessa vez o empresariado está convencendo o governo a acabar com a progressividade dos impostos sobre o patrimônio. O princípio de que valores maiores devem ser tributados com alíquotas maiores. Algumas alíquotas chegariam aos 75% - mas agora não passarão dos 10%. Outra coisa: o IPVA pode deixar de ser cobrado sobre veículos aquáticos e aéreos, inclusive jatinhos e iates particulares, dos grã-finos sem nenhum tostão furado no bolso (rarará)...
por CRISTINA CASTRO
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